A Justiça Federal do Rio de Janeiro manteve presos 33 investigados da Operação Narcofluxo após audiências de custódia realizadas nesta quinta-feira (16/04). Entre os detidos estão MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, proprietário da página Choquei.
A Polícia Federal deflagrou a operação na quarta-feira (15/04). A ação resultou de investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro com movimentação superior a R$ 1,6 bilhão no Brasil e no exterior.
Os investigadores identificaram estrutura sofisticada para ocultar a origem dos recursos. O dinheiro circulava por meio de empresas, pessoas interpostas e operações financeiras de alto valor.
A PF apontou Ryan como líder e principal beneficiário econômico da operação. O cantor teria usado empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar dinheiro lícito com recursos de apostas ilegais e rifas digitais.
Ryan teria transferido participações societárias nessas empresas a familiares e outras pessoas. O objetivo era criar distância entre seu nome e o dinheiro de origem ilícita.
A lavagem era realizada por meio da compra de imóveis, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor. As autoridades também identificaram vínculo estrutural do esquema com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Operação em nove estados
A ação ocorreu em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
Mais de 200 policiais federais cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária. Os mandados foram expedidos por Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos.
A corporação apreendeu armas, veículos de luxo, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos.
A PF estima que o volume financeiro movimentado pelo grupo criminoso ultrapassa R$ 260 bilhões. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan.
O bloqueio foi imposto a 77 alvos da PF, entre empresas e pessoas físicas.
O valor estimado para o bloqueio foi calculado com base no lucro estimado com os crimes praticados: “tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf”, segundo a decisão judicial.
A Justiça também determinou medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias. O objetivo é interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
As investigações continuam. Os alvos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
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