A Polícia Federal apreendeu R$ 1,1 milhão em moedas estrangeiras e dois carros de luxo da marca Jaguar no apartamento de Álvaro Barcha Cardoso, na Lagoa, Zona Sul do Rio. A informação foi confirmada à TMC por fontes da reportagem.
Segundo a investigação da Operação Sem Refino, Álvaro é apontado como um dos principais operadores do esquema ligado à refinaria Refit, do empresário Ricardo Magro. De acordo com a PF, ele atuava como mediador no repasse de propinas e utilizava relações dentro da estrutura do governo estadual para beneficiar interesses do grupo empresarial.
A investigação afirma que Álvaro mantinha proximidade com auditores fiscais, subsecretários e integrantes da cúpula da Secretaria Estadual de Fazenda. Para os investigadores, essa influência era usada para manipular o andamento de processos administrativos e antecipar decisões internas favoráveis à refinaria.

“Pix”
Durante a análise de aparelhos celulares apreendidos na operação, a Polícia Federal encontrou contatos salvos com a identificação “Pix”, o que, segundo os investigadores, sugere possíveis transferências bancárias entre integrantes do esquema.
Os agentes também identificaram conversas entre Álvaro Barcha e o então secretário estadual Juliano Pasqual envolvendo números de processos do sistema SEI e empresas específicas. Para a PF, os diálogos indicam acesso a informações sigilosas e possível uso da máquina pública para atender interesses privados.
Mandados e afastamentos
A Operação Sem Refino cumpriu ao todo 17 mandados de busca e apreensão, incluindo um contra o ex-governador Cláudio Castro. A Justiça também determinou sete afastamentos de cargos públicos no âmbito da investigação. A decisão também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
Em um dos endereços-alvo, na casa do policial civil Maxwell Moraes Fernandes, os agentes apreenderam cerca de R$ 500 mil em dinheiro vivo.

Em nota, a Refit negou ter falsificado declarações fiscais para obter vantagens tributárias e também negou fornecer combustível para o crime organizado. A empresa afirmou ainda que as discussões tributárias envolvendo a companhia acontecem nas esferas judicial e administrativa, como ocorre com outras empresas do setor.




