O que começou como uma manifestação pacífica em frente à reitoria da Unesp, no centro de São Paulo, terminou em confronto e correria na tarde desta segunda-feira (11/05). A situação escalou após membros do Movimento Brasil Livre (MBL) se envolverem no ato que reunia estudantes da Unesp, USP e Unicamp. A interferência gerou uma reação da Polícia Militar, com relatos de uso de gás lacrimogêneo.
De acordo com relatos no local, a presença do grupo externo provocou tensão entre os manifestantes. Em meio ao impasse, a polícia reagiu, dispersando parte da multidão. O público que ocupava a rua precisou recuar às pressas, muitos cobrindo o rosto para se proteger dos efeitos do gás. A TMC solicitou uma nota oficial à Secretaria de Segurança Pública (SSP) para esclarecer os critérios da intervenção e aguarda resposta.
Mesmo após o confronto inicial, o movimento não foi desmobilizado. Os estudantes se reorganizaram em uma passeata que percorreu ruas da capital paulista até a Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), na região da Avenida Dr. Arnaldo.
Uma das revoltas apontadas pelos estudantes foi o cancelamento surpresa de uma reunião do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (CRUESP). O encontro, que deveria ocorrer às 14 horas, de segunda-feira, na sede administrativa da Unesp para discutir pautas de infraestrutura e permanência estudantil, foi desmarcado nesta manhã.
A mobilização das três universidades já dura quase um mês. Os alunos criticam a falta de abertura para negociações reais e a postura das reitorias. O clima de indignação foi intensificado pela ação da PM na reitoria da USP no último domingo, onde estudantes denunciaram violência policial excessiva durante uma desocupação que não havia sido comunicada previamente à instituição.
Ação da PM contra estudantes da USP no domingo
Na madrugada de domingo (10/05) a Polícia Militar realizou uma operação para desocupar o prédio da reitoria da USP, no Butantã, que estava ocupado pelos alunos desde a última quinta-feira, dia 7 de maio. A ocupação havia começado após o reitor da instituição, Aluísio Segurado, encerrar as negociações com o movimento estudantil de forma unilateral.
Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que a operação visava “garantir a ordem” e declarou que não houve registro de feridos.
Em nota, a PM informou ter sido acionada na tarde desta segunda-feira (11/05) para atender a uma ocorrência de manifestação na Praça da República, na região central da capital paulista. De acordo com as informações, houve uma briga generalizada no local. A confusão foi contida pela PM.
A corporação, contudo, não deu mais detalhes sobre ação e nem respondeu sobre a acusação de que teria agido com truculência durante a operação.
Enquanto isso relatos e imagens mostram que a ação foi truculenta, sem aviso prévio para desocupação pacífica e com uso de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo em locais fechados. Registros mostram estudantes com braços quebrados, rostos ensanguentados e hematomas por golpes de cassetete.
A Reitoria da USP informou que não foi comunicada previamente sobre o horário ou a forma como a PM realizaria a desocupação, apesar de a universidade ter solicitado a reintegração de posse judicialmente.
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