Nelson Wilians, alvo da Operação Distrato nessa quarta-feira (15), subverteu a regra da discrição que costuma pautar o mercado do direito no Brasil. Fundador do Nelson Wilians Advogados (NWADV), considerado um dos maiores escritórios de advocacia do país, ele se transformou em uma verdadeira celebridade da internet. O advogado é alvo de mandados de busca e apreensão na ação deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo para combater um esquema bilionário de sonegação e fraude de ICMS.
Seja sob a mira de investigações de grande repercussão ou nas redes sociais exibindo uma vida digna de astros de cinema, o empresário do direito construiu um império que atrai tanto admiração quanto intensos debates.
O fenômeno Nelson Wilians no TikTok e o império do luxo
Com mais de 1,5 milhão de seguidores em suas redes sociais, Nelson Wilians encontrou no TikTok e no Instagram uma vitrine para o seu estilo de vida extravagante. Em seus vídeos, ele compartilha uma rotina luxuosa que foge do padrão sóbrio da advocacia tradicional.

Entre as exibições que mais engajam o público estão:
- Frota automobilística: vídeos mostrando passeios em carros superesportivos de marcas como Ferrari, Porsche e Rolls-Royce.
- Aviação privada: viagens de negócios e lazer a bordo de seu jatinho particular.
- Mansões e arte: detalhes de suas residências suntuosas, decoradas com obras de arte valiosas e esculturas exclusivas.
Essa presença massiva na internet tornou o empresário paranaense o primeiro advogado do país a estampar a capa da revista Forbes Brasil, consolidando-se como um ícone do marketing jurídico.
Casos de grande repercussão e clientes famosos de Nelson Wilians
A fama de Nelson Wilians não se sustenta apenas pela ostentação na internet. Seu escritório, o NWADV, é uma máquina gigantesca com filiais em todas as capitais do Brasil e dezenas de milhares de processos ativos.
Ao longo dos anos, Wilians e sua banca representaram grandes corporações, personalidades e estiveram no centro de disputas familiares que pararam o país:
- A herança de Gugu Liberato: um dos casos mais midiáticos de sua carreira foi a defesa de Rose Miriam di Matteo, mãe dos filhos do apresentador Gugu Liberato, na complexa e disputada batalha judicial pelo reconhecimento de união estável e divisão da herança bilionária;
- Pablo Marçal: em 2024, Nelson Wilians prestou assessoria e serviços jurídicos para o influenciador e político Pablo Marçal;
- Gusttavo Lima: em setembro de 2024, no auge da Operação Integration (que investigou casas de apostas online), Nelson Wilians chegou a viajar para Pernambuco para atuar em favor de investigados ligados ao cantor. O episódio gerou grande repercussão e até uma divergência pública (“ciumeira”, segundo Wilians) com os advogados fixos do sertanejo, que alegaram que ele não fazia parte da defesa oficial;
- Grandes marcas nacionais: o escritório de Nelson Wilians já representou ou atendeu gigantes do mercado brasileiro e multinacionais, incluindo redes varejistas como a Havan (do empresário Luciano Hang), a operadora de saúde Prevent Sênior e instituições financeiras de peso como o Banco do Brasil.
Antes de ser uma celebridade da internet, Wilians ficou conhecido no meio jurídico por vencer uma disputa bilionária. Ele liderou a representação jurídica que garantiu uma bolada histórica de honorários em um processo de repercussão geral envolvendo grandes marcas como o Grupo Abril, Pão de Açúcar e TAM (LATAM, hoje em dia). Foi essa vitória que colocou seu escritório no mapa dos gigantes do país.

Holofotes da Justiça: polêmicas de Nelson Wilians e operações recentes
Nelson Wilians já esteve na mira de outras investigações de grande repercussão. O caso anterior mais marcante ocorreu em setembro de 2025:
Na época, a PF chegou a apreender carros de luxo, obras de arte e documentos em seus endereços. O caso ganhou tanta força que Wilians foi convocado a depor em uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) no Senado, onde preferiu ficar em silêncio.
O Escândalo do INSS (Operação Cambota / Sem Desconto): ele foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal. A PF investigava um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias. Relatórios do Coaf apontaram transações atípicas e suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas ligadas a ele.




