Duas pessoas morreram no Rio Grande do Sul durante o temporal que atingiu pelo menos 19 municípios na sexta-feira (01/05). Uma vítima morreu por naufrágio e outra por descarga elétrica. O fenômeno climático forçou 512 pessoas a deixarem suas casas em Rosário do Sul, município da Fronteira Oeste onde choveu 354 milímetros em um dia.
Quatro pescadores sofreram um naufrágio na Lagoa dos Patos, em Pelotas. O corpo de uma das vítimas foi encontrado pelos bombeiros na manhã deste sábado (02/05), às 10h50. O acidente aconteceu durante as fortes chuvas que causaram estragos nos municípios gaúchos. Outros três seguem desaparecidos. Os bombeiros informaram que foram acionados ainda na noite de sexta-feira (01/05) por pessoas que disseram ter presenciado o acidente. As buscas seguem, com o apoio da Marinha. As identidades de todas as vítimas não foram divulgadas.
Também na sexta, Éverton Duarte Köhler, de 24 anos, morreu após ser atingido por uma descarga elétrica em Cangaçu, na Região Sul do estado. O jovem trabalhava como agricultor. Ele estaria em casa, com o filho bebê no colo e usava o celular conectado ao carregador na tomada quando foi atingido, segundo informações repassadas pela família ao Hospital de Caridade do município. Após o acidente, o jovem foi levado ao hospital pelos próprios familiares.
As regiões Central e Fronteira Oeste concentraram os maiores danos. O volume de precipitação em Rosário do Sul superou em três vezes a média prevista para todo o mês de maio. A média mensal para o município é de 115 milímetros. Na quinta (30/04), a Defesa Civil do Estado tinha emitido avisos para possibilidade de queda de granizo com pedras de grande diâmetro, chuva intensa, rajadas de vento de até 90 km/h e tempestades com raios.
Rosário do Sul e São Gabriel registram maiores impactos
Em Rosário do Sul, 225 residências foram inundadas. O total de pessoas impactadas chegou a 976. As autoridades municipais prepararam o ginásio da cidade para abrigar a população afetada. O espaço não precisou ser utilizado até o momento.
São Gabriel teve 21 famílias obrigadas a sair de casa após acumulado de 200 milímetros. Uma família foi direcionada ao albergue municipal. Seis residências receberam lonas. Uma casa teve o telhado danificado.
A Defesa Civil de Alegrete acompanha moradores de 17 bairros situados próximos ao Rio Ibirapuitã. O rio sobe cerca de 20 centímetros por hora. Na medição da manhã, o nível alcançou 7m66cm. A marca superou a cota de atenção. A elevação resulta das águas provenientes de afluentes de municípios vizinhos. O acumulado no município chegou a 70 milímetros. Não há famílias desabrigadas em Alegrete.
Uruguaiana também contabilizou danos.
Região Central enfrenta alagamentos e granizo
Santa Maria registrou nove residências alagadas com acumulado de 70 milímetros. Não há desabrigados ou desalojados no município.
Júlio de Castilhos e Nova Palma tiveram queda de granizo durante a noite de sexta-feira.
Caçapava do Sul, na Campanha, registrou volume de 120 milímetros em apenas seis horas. A quantidade sobrecarregou o sistema de escoamento. Os bairros Santa Rita, Vila Sul e Centro foram alagados.
Encruzilhada do Sul, no Vale do Rio Pardo, enfrentou transtornos na noite de sexta-feira. A Defesa Civil informou acumulado de 135 milímetros na cidade. Duas residências foram alagadas. A situação está sob controle. Não há desalojados.
Outros municípios da Região Central também foram atingidos: Agudo, Faxinal do Soturno, São Sepé, Silveira Martins e Vila Nova do Sul. Lagoa Bonita do Sul e Sobradinho registraram estragos.
Norte do Estado tem destelhamentos e quedas de árvores
Ernestina teve pelo menos oito pessoas desalojadas. Dez casas foram destelhadas. Houve queda de árvores na área urbana, rural e na RS-153. Levantamento preliminar da prefeitura indica danos em aproximadamente cem residências, prédios públicos, escolas e um ginásio.
Marau teve danos em telhados de 36 residências. A Defesa Civil reportou 10 ocorrências de queda de árvores. Ruas ficaram obstruídas em diversos bairros da cidade e de localidades no interior.
Bom Retiro do Sul, no Vale do Taquari, também registrou estragos.
A RS-348 permanece interditada entre Faxinal do Soturno e Ivorá desde a noite de sexta-feira. A elevação do Arroio Guarda-Mor causou o bloqueio. O trecho afetado está em obras e possui desvio provisório. A liberação depende de manutenção da estrada. A previsão é que o tráfego seja normalizado apenas na segunda-feira (4). Motoristas devem utilizar a RS-804, via Silveira Martins, como rota alternativa.
Na mesma rodovia estadual, ocorreu bloqueio parcial entre Faxinal do Soturno e Dona Francisca. O asfalto cedeu em um trecho que também está em obras. A pista já foi liberada para o tráfego.
Na BR-290, o km 353, localizado em Vila Nova do Sul, ficou totalmente bloqueado por aproximadamente seis horas na noite de sexta-feira. A elevação do Arroio Bossoroca causou a interdição. O trecho foi liberado durante a madrugada.
As distribuidoras de energia RGE e CEEE Equatorial registraram ocorrências pontuais. Não houve grandes volumes de clientes desligados.
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