A USA Rare Earth, empresa norte-americana, adquiriu a mineradora brasileira Serra Verde, localizada em Minaçu, no norte de Goiás. O valor da transação é de US$ 2,8 bilhões, cerca de R$ 14 bilhões. O anúncio foi feito na última segunda-feira (20/04).
A Serra Verde é a única mineradora fora da Ásia a produzir comercialmente quatro elementos magnéticos essenciais de terras raras: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Esses elementos são fundamentais para veículos elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos de alta performance.
Do valor total da aquisição, US$ 300 milhões serão pagos em dinheiro. O restante será pago em ações. A conclusão da operação está prevista para o terceiro trimestre de 2026. A finalização depende de aprovações regulatórias e do cumprimento de condições usuais de fechamento.
A transação combina as operações das duas companhias. O objetivo é liderar toda a cadeia produtiva, desde a extração das terras raras até as etapas de separação, processamento dos elementos e fabricação de ímãs permanentes. O acordo inclui um contrato de fornecimento de 15 anos.
Ricardo Grossi, presidente e diretor de operações da Serra Verde, informou ao g1 que a venda não irá promover mudanças imediatas na operação no Brasil. A gestão local segue inalterada.
“A mina e a planta em Minaçu seguem operando normalmente, sob a liderança da equipe atual, com continuidade da estratégia já em curso. A operação permanece focada no ramp-up e na expansão previstos, e a gestão local segue inalterada. Ao mesmo tempo, o acordo fortalece a empresa ao dar acesso a tecnologia ao longo de toda a cadeia produtiva e maior integração global, sem alterar o dia a dia da operação”, explicou.
A Serra Verde iniciou sua produção comercial em janeiro de 2024. A mineradora emprega atualmente cerca de 400 pessoas. Aproximadamente 72% da força de trabalho é formada por moradores da região.
Exportações e mercado global
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2025, foram exportadas quase 678 toneladas de terras raras para a China. Em 2026, Goiás exportou apenas 2 toneladas para os Estados Unidos, com valor de US$ 67 mil. No ano passado, foram exportados 51 kg para os norte-americanos.
As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de diversos produtos modernos, como smartphones, televisores, câmeras digitais e LEDs. A maior parte desses minerais está concentrada na China e no Brasil.
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Isso representa 25% do território existente. A China lidera o setor. O país asiático é responsável por mais de 60% da produção global e quase 90% do refino desses elementos.
Os elementos de terras raras apresentam propriedades magnéticas e condutoras únicas. Contrariando o que o nome sugere, eles não são necessariamente escassos na crosta terrestre. No entanto, são extremamente difíceis de serem encontrados em concentrações puras e de difícil extração mineral.
Conforme dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), os elementos são classificados da seguinte forma: leves (lantânio, cério, praseodímio e neodímio); médios (samário, európio e gadolínio); pesados (térbio, disprósio, hólmio, térbio, túlio, itérbio, lutécio e ítrio).
A aquisição busca fortalecer a posição das empresas no mercado global de terras raras. O acordo estabelece preços mínimos para os minerais. Isso garante previsibilidade de receita e reduz riscos para a operação.
A operação permanece focada no ramp-up e na expansão previstos. O foco da mineradora permanece na execução do projeto de otimização e expansão para elevar a produção para 6,4 mil toneladas por ano de óxidos de terras raras até o fim de 2027. Após a finalização da etapa de aprovações regulatórias, a integração das operações ocorrerá de forma gradual.
Histórico de investimentos
Em 2025, os Estados Unidos já haviam demonstrado interesse em realizar acordos com o Brasil para a aquisição de minerais considerados estratégicos. A Serra Verde recebeu um financiamento de US$ 565 milhões com a Corporação Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC) para a otimização de suas operações e a expansão da capacidade da mina.
Em janeiro de 2023, a Energy and Minerals Group e a Vision Blue Resources investiram US$ 150 milhões na Serra Verde. Em outubro de 2024, foi anunciado um novo aporte de US$ 150 milhões da Denham Capital, da Energy and Minerals Group e da Vision Blue Resources..




