Vorcaro usou banco para bancar veículos e influenciadores

Investigação da PF mostra que Daniel Vorcaro comprou participações em IstoÉ, Brazil Journal e portal de fofoca usando recursos do banco liquidado

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Daniel Vorcaro posa para foto e veste camisa branca
(Foto: Banco Master/Divulgação)

O empresário Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal e alvo da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, construiu nos últimos anos uma extensa rede de veículos de comunicação financiada com recursos da instituição financeira. A operação envolvia desde revistas tradicionais até portais de fofoca e um ambicioso projeto para remunerar influenciadores digitais.

Segundo documentos obtidos pela investigação, Vorcaro aplicou entre R$ 60 e 80 milhões na aquisição de participações em diferentes empresas de mídia. O banqueiro detinha fatias da revista IstoÉ e do Brazil Journal por meio da Foone Empreendimentos, empresa que também comprou parte do portal PlatôBR.

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A estratégia para ocultar a origem dos investimentos passava pelo uso de Flávio Carneiro, empresário mineiro que aparecia como sócio formal dos veículos. Carneiro é citado na delação premiada de Joesley Batista, dono da JBS, como intermediário em suposto pagamento de propina ao então senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Portal de celebridades recebia R$ 1,2 milhão por mês

Um dos negócios mais reveladores da trama envolve o portal Léo Dias. O publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi, vendeu 17% do site de fofocas para Carneiro em julho de 2024. O valor da transação foi de R$ 10 milhões.

Em troca da participação societária, o Banco Master transferia mensalmente R$ 1,2 milhão para o portal em um contrato de mídia. Miranda afirmou em depoimento que sempre soube estar negociando diretamente com Vorcaro, apesar de Carneiro aparecer como comprador formal.

“Sempre foi claro para mim que era ele quem estava comprando o portal era o Vorcaro. Ele nunca deixou dúvida a respeito disso”, declarou o publicitário.

Projeto previa pagar R$ 3,5 milhões a influenciadores

A investigação também revelou um plano batizado de Projeto DV (iniciais de Daniel Vorcaro) que propunha remunerar influenciadores digitais para questionar a atuação do Banco Central. O esquema previa desembolso mensal de R$ 3,5 milhões.

O projeto foi apresentado em dezembro passado por Miranda em uma reunião com Vorcaro. A proposta, detalhada em 70 slides, incluía a contratação de perfis nas redes sociais para atacar o presidente do BC e o dono do BTG Pactual, André Esteves, desafeto do banqueiro.

Por que isso importa

O caso expõe como recursos de uma instituição financeira foram desviados para construir influência na mídia e nas redes sociais. Na prática, clientes e investidores do Banco Master tiveram seu dinheiro usado para financiar veículos de comunicação e campanhas digitais de interesse pessoal do controlador.

Conexões com fundo de investimento

A Foone Empreendimentos, usada por Vorcaro para comprar os veículos, tinha como sócio o fundo Duke, controlado por Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro. O fundo participava da empresa através da gestora Reag, comandada por João Carlos Mansur, parceiro de negócios de Vorcaro.

A defesa de Vorcaro nega que ele tenha sido sócio da Foone, mas documentos e depoimentos contradizem a versão. Miranda relatou ter negociado pessoalmente com o banqueiro na casa dele, onde Vorcaro definiu valores e condições de pagamento.

Financiamento de filme sobre Bolsonaro

Miranda também intermediou repasses de Vorcaro para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. O publicitário atuou como ponte entre o banqueiro e os produtores da obra, segundo revelou em depoimento.

A prisão de Vorcaro ocorreu em 28 de novembro, e ele foi detido novamente em 2025. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após identificar irregularidades graves na gestão da instituição.

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