O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta quarta-feira (13/05) que o Brasil vai trabalhar para reverter o bloqueio imposto pela União Europeia (UE) às exportações de proteína animal brasileira. A declaração foi feita durante o 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília.
Segundo Alckmin, o país já possui regulamentação que proíbe as substâncias questionadas pelas autoridades europeias. “Nós somos um exemplo para o mundo de cuidado sanitário, tanto em proteína animal, como proteína vegetal“, disse o vice-presidente, citando declaração do ministro André de Paula.
O bloqueio foi anunciado na última terça e pegou o governo brasileiro de surpresa. A UE alegou que o Brasil não apresentou comprovação adequada sobre o monitoramento de antimicrobianos (substâncias usadas na criação de animais) na pecuária.
Brasília contesta a avaliação. O governo brasileiro afirma que segue protocolos sanitários validados por organismos internacionais e que as normas nacionais já vedam o uso dos compostos em questão.
As restrições entram em vigor em 3 de setembro. Até lá, o Brasil tem 30 dias para apresentar garantias técnicas e reverter a decisão por meio de canais diplomáticos.
“Acho que essa questão vai se equacionar”, afirmou Alckmin, demonstrando otimismo quanto ao desfecho das tratativas. O vice-presidente comparou o caso à tensão comercial recente com os Estados Unidos sobre tarifas, que, segundo ele, “está bem equacionado, bem encaminhado”.
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Contexto do acordo Mercosul-UE
O veto ocorre logo após a entrada em vigência provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em 1º de maio. O tratado abre um mercado estimado em US$ 22 trilhões para os países sul-americanos.
Alckmin destacou que o bloco sul-americano também firmou acordos com Singapura, EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), Suíça, Noruega e Islândia. “Estamos falando de US$ 22 trilhões de mercado e, claro, que tinha uma resistência na União Europeia e, principalmente, um receio do acordo com a questão do agro“, disse.
Além do impasse com a UE, o vice-presidente mencionou a investigação comercial dos Estados Unidos conhecida como seção 301, que ainda gera preocupação. “Temos ainda a seção 301 que nos preocupa, mas, nesses 30 dias agora, vão ter reuniões importantes entre os representantes do Brasil e dos EUA“, afirmou Alckmin.




