A Natura fechou o primeiro trimestre com prejuízo líquido de R$ 445 milhões, resultado nove vezes pior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando a perda foi de R$ 50 milhões. O desempenho reflete os custos da reorganização operacional em andamento, que totalizaram R$ 221 milhões no período.
A receita líquida da companhia recuou 7,7% na comparação anual e somou R$ 4,7 bilhões no trimestre. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 47% para R$ 346 milhões, com margem de 7,3% — queda de 5,3 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Segundo João Paulo Ferreira, CEO da Natura, a empresa já eliminou mais de 75% dos cargos previstos no novo modelo operacional. “Nós praticamente concluímos mais de 75% da reorganização [redução dos cargos previstos no novo modelo operacional], então os custos associados à reorganização vão cair bastante a partir de agora”, afirmou o executivo.
O CEO destacou que os benefícios da reestruturação devem aparecer com mais força nos próximos meses. “Igualmente, a captura dos benefícios deve se acelerar a partir do segundo trimestre”, disse Ferreira.
Silvia Vilas Boas, CFO da companhia, explicou que o resultado operacional seria positivo sem as despesas não recorrentes. “Nós fechamos o trimestre com uma rentabilidade de 7,3%, muito impactada por essas despesas extraordinárias não recorrentes. Se excluíssemos este efeito, que não vai continuar se repetindo, a nossa rentabilidade teria sido de 12%”, afirmou a executiva.
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Caixa negativo eleva endividamento
O fluxo de caixa livre da Natura ficou negativo em R$ 430 milhões no trimestre, pressionado pelos custos de reorganização e pela queda nas vendas. A alavancagem financeira (relação entre dívida líquida e Ebitda) subiu para 2,11 vezes, acima das 0,54 vez registradas no mesmo período de 2024.
A companhia estabeleceu como meta reduzir o endividamento para um patamar entre 1 vez e 1,5 vez o Ebitda até o fim do ano. A estratégia inclui a conclusão da reestruturação e a retomada do crescimento em regiões e categorias prioritárias.




