Black Friday deve girar R$ 5,4 bilhões, e o Brasil já tá na “vibe do descontinho”

Comércio projeta crescimento puxado por dólar mais fraco, emprego em alta e promoções que finalmente valem a pena, mas endividamento e juros seguem no rolê

Por Redação TMC | Atualizado em
Fachada de lojas na Avenida Paulista com ofertas da Black Friday
Black Friday promete injetar bilhões na economia, mas endividamento segue ativo. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

O comércio brasileiro deve movimentar R$ 5,4 bilhões durante a Black Friday deste ano (28/11), segundo projeção da CNC. O valor, já descontada a inflação, representa um avanço de 2,4% em relação a 2023 e confirma a data como um dos eventos mais importantes do varejo nacional, atrás apenas do Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais.

Setores que prometem bombar

A CNC explica que a Black Friday no Brasil virou um evento de mês inteiro, e não só da sexta. Fabio Bentes, economista-chefe da entidade, destaca que hiper e supermercados devem liderar as vendas (R$ 1,32 bi), seguidos por eletroeletrônicos, móveis e eletrodomésticos, e vestuário e acessórios.

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A entidade aponta que o ambiente econômico está ajudando: dólar mais baixo, inflação desacelerando e emprego em alta, com taxa de desemprego em 5,6%, o menor nível desde 2002. Esses fatores impulsionam o apetite por compras num período em que muita gente segura orçamento esperando promoções.

Mas tem freio no carrinho das compras

Apesar do cenário positivo, a CNC lembra que os juros altos seguem pesando: o crédito livre para pessoas físicas está com taxa média de 58,3% ao ano, o maior patamar para esta época desde 2017. Além disso, 30,5% das famílias estão com contas em atraso.

Outro ponto que atrapalha o desempenho do varejo é a concorrência dos sites estrangeiros, que seguem fisgando consumidores com preços agressivos e variedade gigante.

Onde estão os maiores descontos

A CNC monitorou 150 produtos de 30 categorias e identificou que 70% delas têm alto potencial de queda, com preços já recuando mais de 5%. As maiores reduções aparecem em papelaria (10,14%), livros (9,02%), joias e bijuterias (9,01%), perfumaria (8,20%) e utilidades domésticas (8,18%).

A Black Friday brasileira, inspirada no modelo dos EUA, movimentava R$ 1,52 bi em 2010. Hoje, virou um dos motores do varejo nacional.

Golpes, IA e como fugir do “conto do descontinho”

Com a explosão das promoções, surgem também os oportunistas. A Senacon recomenda comparar preços, checar reputação das lojas, verificar prazos de entrega e garantir que o site seja seguro (https). Lembrando que compras on-line têm direito de arrependimento de 7 dias.

E o perigo agora também vem com cara de inteligência artificial. Pesquisa do Reclame Aqui mostra que 63% dos consumidores não identificam golpes feitos com IA. Entre os sinais: vídeos estranhos, vozes robóticas, anúncios com famosos em situações improváveis e imagens distorcidas com mãos ou logos esquisitos.

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