Durante evento realizado nesta segunda-feira (11/05) em Nova York, nos Estados Unidos, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, defendeu o aprofundamento das relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos e afirmou que o país precisa avançar para deixar de ser apenas um exportador de commodities.
Segundo Alban, as recentes medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos sobre setores estratégicos da indústria brasileira evidenciaram os desafios enfrentados pelo setor produtivo. Ainda assim, ele destacou a capacidade de reação das empresas nacionais diante do cenário adverso.
“Nossas empresas demonstraram uma admirável capacidade de adaptação a cenários adversos”, opinou Alban.
De acordo com levantamento da CNI, entre as empresas impactadas pelas tarifas, 53% buscaram negociações diretas com parceiros, clientes e fornecedores norte-americanos para minimizar os efeitos das medidas. Já 47% recorreram para a articulação institucional, reforçando o papel das entidades empresariais na defesa da competitividade da indústria brasileira.
Além disso, 40% das companhias ajustaram suas estratégias comerciais e de posicionamento no mercado para enfrentar as dificuldades provocadas pelas mudanças tarifárias.
Durante o discurso, Alban afirmou que os episódios recentes reforçam a necessidade de uma relação bilateral “mais previsível e equilibrada”, com maior integração produtiva entre os dois países.
“Definitivamente, o Brasil não será mais um único e exclusivo exportador de commodities”, declarou.
“Nós vamos agregar valor com os parceiros, buscando complementaridade e competitividade”, acrescentou.
O presidente da CNI também ressaltou os impactos positivos da relação econômica entre os dois países. Segundo ele, estudo da entidade aponta que, em 2024, cada R$ 1 bilhão exportado pelo Brasil para os Estados Unidos gerou mais de 24 mil empregos no país.
No campo dos investimentos, Alban destacou que os Estados Unidos seguem como o principal investidor estrangeiro no Brasil, com estoque superior a US$ 232,8 bilhões. Ele também afirmou que os investimentos brasileiros em território norte-americano cresceram 80,7% na última década, alcançando mais de 20 estados dos EUA.
Ao defender uma integração mais profunda entre as economias, Alban citou áreas consideradas estratégicas para cooperação entre os países, como inteligência artificial, data centers, minerais críticos e biocombustíveis.
“Os únicos capazes de fornecer etanol em larga escala são Brasil e Estados Unidos juntos”, afirmou, ao defender maior parceria no setor energético.
Ele também mencionou o potencial do etanol para abastecer o setor de transporte marítimo, citando o desenvolvimento de motores movidos ao combustível renovável.
Além disso, Alban afirmou que temas como inteligência artificial, mineração estratégica e infraestrutura digital representam oportunidades para ampliar a competitividade industrial e fortalecer a segurança das cadeias globais de suprimento.
“O fortalecimento das nossas relações é essencial para ampliar a resiliência da economia e a competitividade dos dois países”, concluiu.
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