Entre janeiro e junho, as montadoras produziram 1 milhão e 372 mil veículos. O resultado é 8,8% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), entidade que representa as montadoras instaladas no país.
O crescimento foi puxado principalmente pelos veículos leves, como carros de passeio e utilitários. A produção desse segmento aumentou mais de 10% no semestre. Enquanto o número de veículos leves produzidos foi positivo, o de caminhões registrou baixa. Entre janeiro e junho deste ano foram fabricadas 56.798 unidades, o que representa uma queda na produção de 14,4%.
“Os veículos pesados, não é de hoje, vêm sofrendo bastante com a economia brasileira, porque nós temos uma correlação muito forte com o agro, e o agro tem passado por redução de margens, algum nível de endividamento e as taxas de juros no Brasil não têm ajudado a venda de caminhões. Nossa previsão é de que nós vamos ter uma queda de 6% no mercado de caminhões esse ano“, disse Igor Calvet, presidente Anfavea.
A entidade revisou para cima a previsão de vendas de veículos novos em 2026. A expectativa, que era de crescimento de 2,7%, agora passou para 12,1%. Se a projeção se confirmar, o mercado brasileiro deve voltar a superar a marca de 3 milhões de veículos vendidos em um ano. A previsão para a produção também melhorou. A estimativa passou de crescimento de 3,7% para 5,8%.
O principal sinal de alerta está nas exportações. A expectativa agora é de crescimento de apenas 1,3%, bem abaixo da previsão inicial, que era de quase 13%. Os números do primeiro semestre mostram uma mudança importante no mercado. A entrada de veículos chineses no Brasil dobrou, aumentando a participação dos importados nas vendas.
“Os veículos importados fazem parte do portfólio de produtos das empresas, mas a entrada veloz, sem uma contrapartida em produção nacional, é que gera empregos, que gera renda, que gera tributos, pagamento de tributos. Isso, sim, nos preocupa muito porque, no final das contas, nós temos uma competição que não é nos mesmos patamares. Produzir no país ainda custa caro. Produzir no país, do ponto de vista logístico, do ponto de vista trabalhista, do ponto de vista de custo de capital, ainda é muito caro e a gente precisa ter condições equânimes de competição.”
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