Combustível vai subir com o fim da isenção do governo? Entenda o que muda

Retirada gradual dos incentivos começa pelo diesel após queda do preço do petróleo; gasolina ainda mantém subsídio, mas benefício também pode ser encerrado nas próximas semanas

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Marcelo Camargo/Agência Brasil Economia Brasília (DF), 06/06/2024 - Consumidores fazem fila em posto de combustíveis durante o Dia Livre de Impostos
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O governo federal começou, nesta quarta-feira (1º/07), a retirar gradualmente os subsídios criados para conter a alta dos combustíveis durante a escalada dos preços do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio. A primeira medida foi o fim da subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel.

Apesar do encerramento do benefício, a expectativa do governo é que o consumidor não sinta impacto imediato no preço do diesel nos postos. Isso porque a Petrobras promoveu uma redução equivalente no preço praticado nas refinarias, compensando o fim do subsídio.

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A decisão foi tomada após a queda das cotações internacionais do petróleo, que voltaram a níveis próximos aos registrados antes da crise. Com o barril do tipo Brent em torno de US$ 70, a equipe econômica avalia que as medidas emergenciais já não são mais necessárias.

O combustível vai subir?

Neste momento, a tendência é de que não haja aumento imediato no diesel. Segundo o governo, a redução no preço do combustível nas refinarias neutraliza o efeito do fim da subvenção de R$ 0,35 por litro.

No entanto, isso não impede variações nos preços praticados pelos postos, já que fatores como frete, concorrência regional, estoques e margens de revenda também influenciam o valor cobrado ao consumidor.

O que muda a partir de agora?

Apenas um dos benefícios foi encerrado. Continuam em vigor:

  • subsídio de R$ 1,12 por litro do diesel, ainda em avaliação;
  • subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina;
  • subsídio ao gás de cozinha (GLP);
  • desoneração dos tributos federais sobre o biodiesel;
  • desoneração dos tributos sobre o querosene de aviação.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a equipe econômica acompanha diariamente a evolução do mercado e que os demais incentivos também poderão ser retirados gradualmente, caso o petróleo permaneça em patamares mais baixos.

Por que o governo retirou o subsídio?

Segundo o governo, a retirada ocorre por dois motivos principais.

O primeiro é a redução das tensões no Oriente Médio, após o acordo parcial de cessar-fogo envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que contribuiu para a queda das cotações do petróleo.

O segundo é a necessidade de preservar o equilíbrio das contas públicas. De acordo com o Ministério do Planejamento e Orçamento, manter os subsídios por mais tempo poderia aumentar a pressão sobre o orçamento federal, especialmente porque a queda do petróleo também reduz a arrecadação obtida com royalties e tributos ligados à produção da commodity.

Como surgiram os subsídios?

As medidas foram adotadas em março, quando a disparada do preço internacional do petróleo elevou o risco de aumentos expressivos nos combustíveis no Brasil.

Além dos subsídios ao diesel, à gasolina e ao gás de cozinha, o governo também concedeu isenção de tributos sobre o biodiesel e o querosene de aviação, criou linhas de crédito para companhias aéreas e reforçou a fiscalização dos preços praticados nos postos.

A expectativa da equipe econômica é que, caso o petróleo continue nos níveis atuais, a retirada dos incentivos restantes ocorra de forma gradual nas próximas semanas, buscando minimizar impactos para consumidores e para a inflação.

Leia mais: Queda do petróleo aumenta expectativa de combustíveis mais baratos, mas redução no Brasil pode demorar

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