O ministro da Fazenda, Dario Durigan, responsabilizou o Banco Central (BC) pelas fraudes que levaram à liquidação do Banco Master em novembro do ano passado. Para ele, o problema tem raiz na gestão anterior da autoridade monetária. As declarações foram feitas nesta quarta-feira (17/07), em sessão conjunta de comissões da Câmara dos Deputados.
Durigan citou diretamente a gestão do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, ao traçar a origem do caso.
“Olha o que a gente viu no governo Bolsonaro, em especial na gestão Roberto Campos Neto. O caso do Banco Master nasce com a falha de supervisão do Banco Central”, disse o ministro.
Menos servidores, menos fiscalização
O ministro da Fazenda apontou a redução contínua no quadro de servidores do BC como fator central para a falha de supervisão. De acordo com Durigan, a falta de recursos para realizar novos concursos e contratações enfraqueceu a capacidade de fiscalização da instituição ao longo do tempo.
Na prática, isso significa que o BC teria tido menos gente para monitorar bancos e detectar irregularidades, o que, segundo o ministro, abriu espaço para as fraudes no Master.
PEC do BC: apoio com ressalvas
O debate ocorre em meio à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Banco Central na Câmara. O texto propõe ampliar a autonomia da instituição, com orçamento próprio e menor dependência do Tesouro Nacional, o caixa do governo federal.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, defende a proposta. Durigan também apoia o fortalecimento institucional da autoridade monetária, mas fez ressalvas ao conteúdo da PEC.
“A gente não pode, a pretexto de fortalecer institucionalmente o Banco Central, criar uma série de distorções na contabilidade pública”, disse Durigan. A preocupação é que a maior autonomia orçamentária gere brechas que prejudiquem as contas do governo.
Durigan reforçou que defende o fortalecimento do BC e de outras agências reguladoras, mas dentro de limites que preservem a transparência fiscal.




