O Ibovespa engatou o segundo pregão consecutivo de perdas nesta terça-feira (16/06), registrando uma queda de 0,45%, aos 169.648,47 pontos, o que representou um recuo de 766,66 pontos.
O principal índice da bolsa brasileira foi penalizado pela contínua descompressão nos preços internacionais do petróleo e pelo clima de forte cautela que antecede a “Super Quarta”, quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos divulgaram suas decisões de política monetária. O alívio institucional foi refletido no índice de volatilidade (VIX), que recuou 3,93%.
No front geopolítico, a aproximação de um acordo definitivo entre Washington e Teerã, somada aos discursos de distensão na Cúpula do G7 na França, continuou esvaziando o prêmio de risco das commodities energéticas. Como resultado, o barril do tipo Brent recuou para a faixa dos US$ 80, retirando tração das petroleiras de grande peso na carteira teórica da B3.
No entanto, o verdadeiro freio para o investidor doméstico é a expectativa pelos comunicados do Copom — onde se projeta um corte de 0,25 ponto na Selic acompanhado de um tom severamente vigilante — e do Fed de Kevin Warsh, que deve manter os juros americanos entre 3,50% e 3,75%.
Braskem desaba com processo criminal; Vibra anuncia JCP milionário
O principal destaque negativo do pregão no ambiente corporativo foi a Braskem (BRKM5), cujas ações desabaram 6,97%. A petroquímica tornou-se ré em uma ação penal movida pela Justiça Federal de Alagoas decorrente do agravamento do afundamento do solo em Maceió. As acusações envolvem crimes de poluição e suposta manipulação de relatórios de dados ambientais, reativando um severo gatilho de risco jurídico e de imagem sobre a companhia.
A queda do petróleo bruto também manteve a Petrobras (PETR4) no campo negativo, com recuo de 1,33%, cotada a R$ 38,54.
Fora do índice, o setor de infraestrutura e óleo também operou sob forte volatilidade após a Brava Energia (BRAV3) anunciar a suspensão temporária da OPA de 25% de suas ações pela colombiana Ecopetrol (avaliada em R$ 23 por papel), motivada por um recurso junto ao colegiado da CVM. Na contramão do setor, a Vibra Energia (VBBR3) recuou 2,26%, mas atraiu volume ao aprovar a distribuição de R$ 558,2 milhões em JCP (com data-cut em 22 de junho de 2026).
Pelo lado das altas, a Gerdau (GGBR4) avançou 1,01% após celebrar um contrato de R$ 150 milhões com a Copel (CPLE3) para adquirir 23,03% da Dona Francisca Energética, reforçando sua estratégia de autoprodução de energia limpa. Nos papéis de menor liquidez, a João Fortes (JFEN3) disparou 19,30% e a OceanPact (OPCT3F) subiu 13,75%.
Dólar
O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,39%, cotado a R$ 5,086 na venda. A moeda norte-americana mostrou volatilidade ao longo do pregão, registrando a mínima de R$ 5,049 e tocando a máxima de R$ 5,103.
O movimento de valorização da divisa refletiu o tradicional posicionamento defensivo de fundos e investidores institucionais que antecede a Super Quarta. E
mbora o fluxo global de moedas tenha operado sob o efeito da trégua no Golfo Pérsico, a necessidade de proteção antes dos discursos de Kevin Warsh (Fed) e da diretoria do Banco Central do Brasil falou mais alto, pressionando o real e empurrando o dólar novamente para cima do suporte de R$ 5,08.
O Ibovespa perde o patamar dos 170 mil pontos em um movimento claro de paralisação e redução de risco por parte dos grandes players antes das decisões de juros.
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