O governo dos Estados Unidos marcou para o dia 6 de julho uma consulta pública que antecede a decisão final e possíveis barreiras comerciais contra o Brasil.
A investigação, conduzida sob a “Seção 301”, pode resultar em uma sobretaxa de até 25% sobre produtos brasileiros a partir de julho. O anúncio das tarifas foi feito no início deste mês, após os EUA concluírem uma investigação contra o Brasil por práticas desleais no comércio.
O PIX foi um dos alvos da decisão americana. Segundo a investigação, o sistema de pagamento criaria uma condição de concorrência desfavorável para empresas privadas de pagamentos eletrônicos e cartões de crédito. A consulta pública sobre esse tema marcada para julho pode influenciar os rumos dessa disputa financeira.
Porém, até o momento, apenas um brasileiro se inscreveu para participar da audiência e defender o PIX: Gustavo Pessoa, professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).
De forma independente, sem representar o governo ou o setor produtivo, o professor pretende levar dados técnicos à audiência para contrapor a acusação americana de que o Pix opera sob concorrência desleal.
“O meu papel é de ser independente. Dado todas as minhas pesquisas, a minha parte de ser professor na área de economia, eu quero dar uma visão técnica para eles e mostrar que não existe uma concorrência desleal. Apenas houve uma adoção em massa da população por esse meio de pagamento”, explica o professor Gustavo Pessoa,.
O cerne do questionamento de Washington está no fato de o Banco Central do Brasil atuar, ao mesmo tempo, como regulador e operador do Pix. Para Gustavo Pessoa, o “tarifaço” é reflexo do desconhecimento externo sobre a evolução do sistema brasileiro.
“O PIX deixou de ser um mero meio de pagamento e virou um sistema de infraestrutura. Então, dado o sucesso desse sistema, eu acho que existem muitas dúvidas para ser solucionadas tanto no Brasil quanto no exterior”, destaca o professor.
Veja a entrevista completa com Gustavo Pessoa no YouTube da TMC:




