Exportações brasileiras para o golfo Pérsico caem 31% em março com bloqueio de Ormuz

Guerra no Irã interrompe rotas comerciais estratégicas e reduz vendas para US$ 537 mi em 6 países árabes, segundo dados do Mdic

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: REUTERS/Tingshu Wang)

O Brasil exportou US$ 537,11 milhões para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Bahrein e Omã em março de 2026. O valor representa uma queda de 31,47% em relação ao mesmo mês de 2025. O bloqueio do estreito de Ormuz, provocado pela guerra no Irã, interrompeu rotas comerciais estratégicas para produtos brasileiros do agronegócio e minerais.

Os dados foram divulgados pela plataforma ComexStat, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB). Apesar da retração em março, as exportações brasileiras para os seis países acumularam US$ 2,41 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 8,14% na comparação anual.

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O conflito no Irã forçou o redirecionamento das rotas comerciais. Navios passaram a contornar a África para alcançar os mercados do golfo Pérsico. Proprietários de embarcações começaram a cobrar valores adicionais devido ao risco do conflito.

As importações brasileiras subiram 113% em março. O saldo comercial do mês ficou positivo em US$ 41,4 milhões. No trimestre, as importações somaram US$ 1,4 bilhão. O Brasil registrou superávit de US$ 1 bilhão no período.

Agronegócio concentra 75% das vendas

O agronegócio representa cerca de 75% das exportações brasileiras para a região. O setor teve queda de 25,38% em março. No acumulado do trimestre, cresceu 6,8%, totalizando US$ 1,44 bilhão.

As vendas de açúcar recuaram 43,37% em março, para US$ 54,07 milhões. O milho praticamente não registrou embarques no mês. O café avançou 34,24% em março, com vendas de US$ 9,97 milhões. No trimestre, o produto acumulou alta de 64,3%, atingindo US$ 49,58 milhões. As carnes de aves e derivados, item de maior peso na pauta agropecuária, recuaram 13,8% em março, para US$ 185,5 milhões. No acumulado do ano, a queda foi de 2,32%, somando US$ 619,12 milhões. A carne bovina cresceu 24,7% em março, com vendas de US$ 47,75 milhões. No trimestre, o avanço foi de 65,29%, atingindo US$ 194,56 milhões.

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos concentram 46,2% e 38,5%, respectivamente, das vendas brasileiras para a região. Os principais produtos vendidos foram carnes de aves e derivados (34,6%), ouro não monetário (10,2%), açúcares e melaços (10,1%) e carne bovina (8,7%).

As exportações de carne bovina para Qatar caíram 55,3% em março. Para Emirados Árabes, recuaram 49,5%. Para Iraque, tiveram queda de 42,5%. O Brasil se tornou o maior exportador mundial de carne halal, que segue preceitos islâmicos para o abate animal. Em 2025, houve alta de 1,91% na carne bovina para países árabes. O Brasil aumentou sua participação nesse mercado no longo prazo.

Serigati aponta pequenas diferenças nos cálculos da CCAB e do Mdic. A divergência está ligada a diferenças metodológicas quanto às respectivas agregações de países e tipos de produtos.

Leia mais: Acordo Mercosul-UE pode aumentar exportações brasileiras em 13%, afirma Alckmin

Importação de fertilizantes

A importação de fertilizantes dos países do golfo subiu 268% em março para US$ 30 milhões ante fevereiro de 2026. Em volume, o aumento foi de 171%, para 52,9 mil toneladas. A Câmara de Comércio Árabe Brasil informou que os envios de fertilizantes a partir do Qatar foram feitos por avião. A medida contornou o bloqueio no estreito de Ormuz.

No primeiro trimestre de 2026, a importação de fertilizantes caiu 51,35%, de US$ 175 milhões para US$ 85 milhões. Em volume, a queda foi de quase 60%, de 455 mil toneladas para 183 mil toneladas.

O volume das importações de petróleo, minerais betuminosos e óleo bruto caiu 21% em março em relação a fevereiro, de 633 mil para 500 mil toneladas. Em valores, a queda foi de 6,14%, de US$ 393,6 milhões para US$ 369,4 milhões.

No trimestre, em relação ao mesmo período em 2025, houve aumento de 29,5% do total importado de petróleo e derivados, para US$ 1 bilhão.

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