FMI diz que PIB brasileiro deve crescer 2,4% neste ano; dívida se aproxima de 100%

Entidade citou “notável resiliência” da economia brasileira em meio aos choques recentes e defendeu a necessidade de um esforço fiscal mais ambicioso

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(Foto: Benoit Tessier/Reuters)

A diretoria do Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que a política monetária do Brasil deve permanecer dependente de dados e flexível em meio às incertezas globais elevadas, destacando que vê como “apropriado” que a normalização da política de juros se dê a um ritmo mais lento do que o esperado antes da guerra no Oriente Médio.

As considerações, divulgadas nesta quinta-feira (23/07) em nota, foram feitas na aprovação da chamada “consulta do Artigo IV” para o Brasil, avaliação periódica da economia dos países feita pelo Fundo e concluída no Brasil em 20 de julho.

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O FMI citou a “notável resiliência” da economia brasileira em meio aos choques recentes e defendeu a necessidade de um esforço fiscal mais ambicioso.

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Os diretores destacaram, em particular, a pertinência de fortalecer o arcabouço fiscal, com a fixação de limites de gastos abrangentes, uma âncora de dívida de médio prazo e a vinculação do crescimento dos gastos a receitas estruturais.

O Fundo prevê que o Produto Interno Bruto do Brasil crescerá 2,4% este ano, desacelerando em 2027 em face da política monetária restritiva.

Os riscos para a perspectiva de crescimento do PIB são majoritariamente baixistas, diante da incerteza global, destacaram os diretores do FMI.

“O principal risco é uma escalada das tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, que poderia elevar a inflação e, por meio de condições financeiras mais restritivas e da menor demanda global, reduzir a atividade econômica”, disse o Fundo na nota.

“As tensões comerciais globais podem prejudicar o investimento estrangeiro e o comércio. No âmbito doméstico, um esforço fiscal inferior ao previsto poderia aumentar a incerteza e intensificar as pressões inflacionárias, resultando em custos de financiamento mais elevados e, em última instância, em um crescimento mais fraco.”

Em relação à dívida pública, a previsão do FMI é de que se aproxime de 100% do PIB: 97,8%, no fim do ano. A entidade faz um alerta sobre o ritmo de crescimento da dívida. E faz uma projeção de que essa relação, se continuar subindo, atingirá 106% do PIB por volta de 2035.

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