Alvo dos EUA para justificar tarifaço, Pix pode ser copiado pelos americanos, diz Galípolo

Presidente do Banco Central afirma que sistema de pagamentos instantâneos beneficia consumidores e empresas e revela que a autoridade monetária já coopera com 47 bancos centrais para exportar a tecnologia

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Presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo
(Foto: Alexandre Boiczar/Banco Central)

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (16/07) que o Pix, apontado pelo governo dos Estados Unidos como uma das justificativas para impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, pode, no futuro, ser adotado pelos próprios americanos. Segundo ele, a autoridade monetária já mantém acordos de cooperação técnica com dezenas de países para disseminar a tecnologia do sistema de pagamentos instantâneos.

Em coletiva de imprensa, Galípolo destacou que o Banco Central pretende ampliar os acordos de cooperação internacional, inclusive com os Estados Unidos, para que outros países possam desenvolver plataformas semelhantes ao Pix.

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“O Banco Central já assinou com mais de 47 outros bancos centrais termos de cooperação técnica para que o Banco Central possa transferir tecnologia e esses outros bancos centrais possam desenvolver o seu sistema de pagamento instantâneo também. Países como Estados Unidos, Europa, China, Índia, Singapura e uma série de outros bancos centrais ou já implementaram ou estão estudando implementar sistemas de pagamento instantâneo”, afirmou.

O presidente do BC também garantiu que o Pix continuará sendo oferecido gratuitamente, independentemente das críticas feitas pelos norte-americanos.

“A gente vai seguir sempre fornecendo o PIX como algo gratuito, seguro e instantâneo e seguir na evolução técnica do Pix em cooperação com outros bancos centrais para que, cada vez mais, a população brasileira possa ter acesso a serviços financeiros de maneira mais segura, mais rápida e com maior inclusão financeira”, disse.

PIX entrou na investigação dos EUA

O sistema brasileiro de pagamentos foi citado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na investigação que embasou a decisão do governo Donald Trump de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada na madrugada desta quinta-feira.

Na avaliação do órgão americano, o Banco Central favoreceria o Pix em detrimento de empresas privadas, incluindo companhias dos Estados Unidos. O USTR também questiona o fato de a autoridade monetária atuar simultaneamente como reguladora e operadora da plataforma, o que, segundo o relatório, configuraria uma vantagem competitiva indevida.

Galípolo rebate críticas

Ao responder às acusações, Galípolo afirmou que o Pix não prejudica empresas privadas, mas reduz custos para consumidores, comerciantes e para o próprio setor público ao substituir meios de pagamento mais caros, como cheques e dinheiro em espécie.

“Quando a gente olha para as alternativas e o que aconteceu no mercado, quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente desejável para todos. O custo de transação de você levar fisicamente cheques ou dinheiro físico é altíssimo. Então, o caso da implementação do Pix consegue se configurar como um desses em que ele é benéfico para quem demanda e para quem oferta, para o setor público e para o setor privado.”

Segundo o presidente do Banco Central, o interesse internacional pelo Pix demonstra que o modelo brasileiro se consolidou como uma referência em pagamentos instantâneos, motivo pelo qual a instituição continuará expandindo a cooperação técnica com outros bancos centrais, incluindo a possibilidade de compartilhar a tecnologia com os próprios Estados Unidos.

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