O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (16/07) que o Pix, apontado pelo governo dos Estados Unidos como uma das justificativas para impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, pode, no futuro, ser adotado pelos próprios americanos. Segundo ele, a autoridade monetária já mantém acordos de cooperação técnica com dezenas de países para disseminar a tecnologia do sistema de pagamentos instantâneos.
Em coletiva de imprensa, Galípolo destacou que o Banco Central pretende ampliar os acordos de cooperação internacional, inclusive com os Estados Unidos, para que outros países possam desenvolver plataformas semelhantes ao Pix.
“O Banco Central já assinou com mais de 47 outros bancos centrais termos de cooperação técnica para que o Banco Central possa transferir tecnologia e esses outros bancos centrais possam desenvolver o seu sistema de pagamento instantâneo também. Países como Estados Unidos, Europa, China, Índia, Singapura e uma série de outros bancos centrais ou já implementaram ou estão estudando implementar sistemas de pagamento instantâneo”, afirmou.
O presidente do BC também garantiu que o Pix continuará sendo oferecido gratuitamente, independentemente das críticas feitas pelos norte-americanos.
“A gente vai seguir sempre fornecendo o PIX como algo gratuito, seguro e instantâneo e seguir na evolução técnica do Pix em cooperação com outros bancos centrais para que, cada vez mais, a população brasileira possa ter acesso a serviços financeiros de maneira mais segura, mais rápida e com maior inclusão financeira”, disse.
PIX entrou na investigação dos EUA
O sistema brasileiro de pagamentos foi citado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na investigação que embasou a decisão do governo Donald Trump de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada na madrugada desta quinta-feira.
Na avaliação do órgão americano, o Banco Central favoreceria o Pix em detrimento de empresas privadas, incluindo companhias dos Estados Unidos. O USTR também questiona o fato de a autoridade monetária atuar simultaneamente como reguladora e operadora da plataforma, o que, segundo o relatório, configuraria uma vantagem competitiva indevida.
Galípolo rebate críticas
Ao responder às acusações, Galípolo afirmou que o Pix não prejudica empresas privadas, mas reduz custos para consumidores, comerciantes e para o próprio setor público ao substituir meios de pagamento mais caros, como cheques e dinheiro em espécie.
“Quando a gente olha para as alternativas e o que aconteceu no mercado, quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente desejável para todos. O custo de transação de você levar fisicamente cheques ou dinheiro físico é altíssimo. Então, o caso da implementação do Pix consegue se configurar como um desses em que ele é benéfico para quem demanda e para quem oferta, para o setor público e para o setor privado.”
Segundo o presidente do Banco Central, o interesse internacional pelo Pix demonstra que o modelo brasileiro se consolidou como uma referência em pagamentos instantâneos, motivo pelo qual a instituição continuará expandindo a cooperação técnica com outros bancos centrais, incluindo a possibilidade de compartilhar a tecnologia com os próprios Estados Unidos.
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