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Pão de Açúcar vai fechar? Entenda a crise do GPA

Grupo Pão de Açúcar pediu recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 4,5 bilhões

Por Redação TMC | Atualizado em
Fachada da sede do GPA
Câmera Fotográfica (Foto: Divulgação/GPA)

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) apresentou nesta terça-feira (10/03) um plano de recuperação extrajudicial para reorganizar suas finanças. A medida envolve aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas e foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração. O grupo firmou acordo com seus principais credores para viabilizar a reestruturação financeira.

A companhia optou pela recuperação extrajudicial como alternativa para reorganizar suas obrigações financeiras. Esse procedimento não tramita na Justiça, não abrange todos os credores e apresenta menor complexidade e duração em comparação à recuperação judicial.

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O plano entrou em vigor imediatamente. O prazo inicial estabelecido é de 90 dias. Nesse período, o objetivo é conseguir apoio da maioria dos credores e chegar a uma solução definitiva para a reorganização do endividamento.

Lojas do Pão de Açúcar serão fechadas?

Obrigações com fornecedores, parceiros, clientes e compromissos trabalhistas não fazem parte do plano. Essas obrigações não sofrerão impacto do processo. Assim, as unidades da rede permanecerão abertas e funcionando normalmente.

O acordo estabelece suspensão temporária dos pagamentos das dívidas enquanto a empresa negocia novas condições para quitar suas obrigações. Em comunicado ao mercado, o GPA informou que a iniciativa busca melhorar o perfil da dívida e fortalecer o balanço. A medida visa criar condições para resolver problemas de liquidez no curto prazo e garantir a sustentabilidade financeira no longo prazo.

A empresa demitirá funcionários?

Sem entrar em detalhes sobre seu grupo de colaboradores, a empresa afirmou que suas operações seguirão normalmente. O grupo está em dia com pagamentos a fornecedores e parceiros comerciais.

O Grupo Pão de Açúcar enfrenta dificuldades financeiras há anos. Diversos acontecimentos impactaram os resultados da empresa ao longo do tempo.

A baixa demanda registrada em períodos de alta na inflação de alimentos está entre os principais fatores. O nível elevado dos juros por tempo prolongado também afetou os resultados. Os juros altos impactaram a companhia devido ao alto grau de endividamento, tornando as dívidas mais caras.

Custos com mudanças internas na gestão contribuíram para o cenário de dificuldades financeiras. Pagamentos de dívidas fiscais e trabalhistas e reconhecimento de perdas em lojas com baixo desempenho também pesaram nos resultados.

Leia mais: Grupo Pão de Açúcar pede recuperação extrajudicial para renegociar dívidas

A empresa vinha reportando prejuízos líquidos anuais desde 2022. No resultado do último trimestre do ano passado, a companhia alertou os investidores sobre dúvidas quanto à sua capacidade de dar continuidade às suas operações.

“Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”, disse a empresa no documento divulgado no final de fevereiro.

Conforme nota explicativa divulgada pela companhia, o grupo apresentava um déficit de aproximadamente R$ 1,2 bilhão no final do ano passado. Este déficit significa que a empresa tinha mais contas a pagar do que dinheiro disponível no caixa. O resultado decorreu de empréstimos e títulos de dívida com vencimento em 2026.

Mesmo com resultados melhores nas vendas, a empresa continuou a registrar prejuízo.

Mudanças na estrutura acionária e na gestão

O GPA passou por mudanças relevantes no ano passado. O Grupo Coelho Diniz assumiu como principal acionista, com participação de 24,6%. O grupo francês Casino, que já foi controlador da companhia, ainda detém uma fatia de 22,5%.

Em outubro, o empresário André Coelho Diniz foi eleito presidente do conselho de administração. Na sequência, o presidente-executivo Marcelo Pimentel, que estava no cargo desde 2022, renunciou. No começo de 2026, Alexandre de Jesus Santoro foi eleito como diretor-presidente da companhia.

Dados financeiros e operacionais

O plano já recebeu o apoio de credores que detêm 46% dos créditos incluídos no processo. Esse montante equivale a cerca de R$ 2,1 bilhões. O percentual está acima do mínimo estabelecido pela legislação para iniciar esse tipo de negociação.

Em 2025, a companhia registrou um prejuízo líquido nas operações continuadas de cerca de R$ 651 milhões. A empresa encerrou o exercício com uma dívida líquida de R$ 2 bilhões. A dívida bruta total somava R$ 4 bilhões.

De acordo com os dados mais recentes divulgados pela companhia, o grupo opera 728 lojas no Brasil. A distribuição por bandeira inclui 187 unidades Pão de Açúcar, 164 do Extra Mercado, 155 do Mini Extra e 221 do Minuto Pão de Açúcar.

No mercado de capitais, as ações do GPA, negociadas na bolsa sob o código PCAR3, acumulam valorização de 9,64% nos últimos 12 meses.

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