O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira (10/06) em queda de 0,70%, aos 168.619,26 pontos, registrando uma perda de 1.193,89 pontos. O pregão foi dominado pelo sentimento de cautela global, que anulou os ganhos técnicos da véspera.
Os investidores reagiram a uma perigosa combinação entre a intensificação das hostilidades militares no Golfo Pérsico e a confirmação de que a inflação nos Estados Unidos continua pressionada, o que corrobora a tese de juros altos por mais tempo.
O ambiente geopolítico voltou a se deteriorar de forma aguda após as forças militares dos EUA realizarem ataques contra sistemas de defesa aérea e radares do Irã nas proximidades do Estreito de Ormuz, em retaliação à derrubada de um helicóptero americano.
No front macroeconômico, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA avançou 0,5% em maio, acumulando uma alta de 4,2% em 12 meses. O dado reforçou o temor de que o Federal Reserve terá dificuldades para iniciar um ciclo de afrouxamento monetário, o que impulsionou o índice de volatilidade local (VIX) em 0.32%.
Petrobras avança com nova parceria e blinda o índice
Apesar do recuo generalizado na B3, as perdas do índice foram limitadas pelo desempenho positivo de gigantes de peso. A Petrobras (PETR4) registrou alta de 1,17%, cotada a R$ 41,65, impulsionada pelo preço do petróleo e pelo anúncio de um contrato com a norueguesa Equinor para adquirir 50% de participação no bloco exploratório Itaimbezinho, na Bacia de Campos, reforçando a estratégia de recomposição de suas reservas de óleo. O Itaú Unibanco (ITUB4) também operou na ponta positiva (+0,36%), oferecendo suporte ao setor financeiro.
Na contramão, a Vale (VALE3) registrou queda, mesmo após informar que estuda ativamente o mercado de minerais críticos e terras raras no Brasil. O setor de logística também sofreu com o humor azedo, levando a Rumo (RAIL3) a fechar em leve baixa, ignorando temporariamente o relatório da XP Investimentos que reiterou recomendação de compra após a operadora alcançar o recorde histórico de 8,2 bilhões de RTK transportados.
A Totvs (TOTS3) encerrou em queda após o mercado digerir o anúncio de R$ 104,3 milhões em Juros sobre Capital Próprio (JCP), enquanto os papéis da Brava Energia (BRAV3) recuaram com a suspensão do prazo para o parecer sobre a OPA da colombiana Ecopetrol.
Nas oscilações de destaque fora do Ibovespa principal, o Banco da Amazônia (BAZA3) liderou as perdas com um tombo de 14,48%, enquanto a João Fortes (JFEN3) disparou 18,18%.
Dólar
O dólar comercial encerrou a sessão com uma leve queda de 0,10%, cotado a R$ 5,172 na venda. A moeda norte-americana demonstrou forte volatilidade ao longo do dia, registrando a máxima de R$ 5,198 e a mínima de R$ 5,159.
O comportamento do câmbio refletiu uma forte disputa técnica. Pelo lado das pressões de alta, o CPI forte e os novos ataques militares americanos atraíram fluxo para a divisa como ativo de proteção global. Contudo, a taxa de câmbio encontrou teto e acabou recuando marginalmente antes do fechamento devido ao forte diferencial de juros doméstico (DI a 14,40%), que continua atuando como um importante ímã para o carry trade e ajudando a estabilizar a moeda brasileira na casa dos R$ 5,17.
O fechamento do Ibovespa abaixo dos 169 mil pontos reativa o sinal de alerta para o suporte de curto prazo, deixando o mercado vulnerável a novos choques vindos do exterior.
A resiliência da Petrobras com sua agenda de expansão exploratória evitou que o índice principal testasse níveis ainda mais baixos de suporte técnico.
Com a agenda de dados carregada e o Oriente Médio em ebulição, o investidor tende a manter posições defensivas e a liquidez reduzida nas próximas sessões.
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