O governo mexicano estabeleceu cotas de importação sem impostos para carnes bovina e suína, beneficiando exportadores de todos os países que exportam para o México, incluindo o Brasil.
A medida foi anunciada nesta quarta-feira (7/1) e terá validade até o fim de 2026. A decisão complementa uma ação anterior, de dezembro de 2025, que retirou essas proteínas do programa mexicano de combate à inflação, o Paquete Contra la Inflación y la Carestia (Pacic).
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Para a carne bovina, o México liberou a entrada de 70 mil toneladas sem a cobrança de alíquotas de importação. Já para a carne suína, a cota estabelecida é de 51 mil toneladas. Estas quantidades não são exclusivas para o Brasil, mas aplicam-se a todos os países exportadores, exceto Estados Unidos e México.
Conforme dados da plataforma Agrostat do Ministério da Agricultura, o Brasil exportou 113,2 mil toneladas de carne bovina entre janeiro e novembro de 2025, gerando receita de R$ 618,9 milhões. No mesmo período, as exportações brasileiras de carne suína alcançaram 74,3 mil toneladas, resultando R$ 181,4 milhões de receita.
A medida mexicana ocorre enquanto o Brasil enfrenta desafios com a China, que implementou uma salvaguarda para a carne bovina importada. O mecanismo chinês prevê tarifa adicional de 55% sobre volumes que ultrapassarem a cota de 1,1 milhão de toneladas. O governo brasileiro negocia com autoridades chinesas para que os embarques realizados até 31 de dezembro de 2025 não sejam contabilizados nessa cota. Além disso, prepara propostas para absorver eventuais volumes não utilizados por outros exportadores.
A Associação dos Criadores de Mato Grosso manifestou preocupação com a possibilidade de que o custo da sobretaxa chinesa seja transferido aos pecuaristas. Em nota, a entidade solicitou que os frigoríficos evitem repassar perdas aos produtores e alertou contra práticas especulativas.
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