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Petróleo dispara com crise no Oriente Médio e gera incerteza sobre preços no Brasil

Bloqueio de rota estratégica do petróleo amplia volatilidade e reacende debate sobre reajuste de combustíveis

Por Redação TMC | Atualizado em
Bomba de extração de petróleo impressa em 3D, bandeira do Irã e gráfico de ações em alta aparecem nesta ilustração feita em 2 de março de 2026
Câmera Fotográfica Dado Ruvic/Ilustração/Reuters

A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã provocou forte turbulência nos mercados globais nesta terça-feira (03/03), com disparada do petróleo, alta do dólar e queda nas principais Bolsas do mundo. O ponto central da crise é o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária do Irã.

A região é estratégica para o fluxo global de energia e concentra cerca de 20% do comércio mundial de petróleo.

O barril do Brent chegou a US$ 85,12 durante a sessão, maior valor desde julho de 2024. Ao longo do dia, os ganhos perderam força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que alvos navais e aéreos iranianos foram destruídos e que o conflito pode não se prolongar.

Consultorias internacionais avaliam que ainda é cedo para estimar a magnitude da alta. A existência de estoques estratégicos relevantes em países da OCDE e na China pode limitar movimentos mais acentuados no curto prazo.

Em cenário-base, projeções indicam o Brent próximo de US$ 80 em março e na casa dos US$ 70 nos meses seguintes. Em hipótese mais grave, com danos à infraestrutura energética, o barril poderia atingir US$ 130.

Diesel lidera pressão global

A crise tem impactado principalmente o mercado de diesel. Nos Estados Unidos, contratos futuros subiram cerca de 10%, alcançando o maior patamar desde outubro de 2023. A gasolina avançou em menor intensidade.

No Brasil, a defasagem do diesel vendido pela Petrobras frente à paridade de importação voltou a aumentar. Dados do mercado indicavam diferença próxima de R$ 0,83 por litro nas refinarias no início do dia, reacendendo discussões sobre possível reajuste caso o cenário internacional persista.

A estatal costuma afirmar que evita repassar volatilidades pontuais e só promove reajustes quando identifica novo patamar estrutural de preços.

Dólar dispara e Bolsa cai mais de 3%

A aversão global ao risco impulsionou o dólar, que fechou em alta de 1,87%, cotado a R$ 5,261. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,343.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o pregão com queda de 3,27%, aos 183.104 pontos, após ter recuado mais de 4% na mínima da sessão.

O movimento se repetiu no exterior:

  • Ásia: quedas superiores a 3% em Tóquio e mais de 7% em Seul.
  • Europa: recuos acima de 3% nas principais praças.
  • Estados Unidos: perdas moderadas nos índices acionários.

O fluxo para ativos considerados mais seguros fortaleceu o dólar no mercado internacional, retomando seu papel tradicional de proteção em momentos de crise.

Estreito de Ormuz: por que ele é tão importante?

Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz é a principal rota de exportação de petróleo de países como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait.

Com a interrupção do tráfego, o mercado passou a precificar risco elevado de desabastecimento global. Analistas apontam que, em cenários mais extremos, o barril pode ultrapassar US$ 100.

O que observar nos próximos dias

O desfecho da crise depende da capacidade do Irã de manter o bloqueio marítimo e da evolução das operações militares na região.

Se o Estreito de Ormuz permanecer fechado por período prolongado, o mercado pode precificar novo choque de oferta. Caso haja sinalização de trégua ou normalização parcial do tráfego, a tendência é de acomodação nos preços.

O Brasil está hoje em posição mais confortável do que em choques anteriores, por ser exportador líquido de petróleo. O país vende ao exterior mais da metade do que produz.

Enquanto isso, investidores e consumidores enfrentam um cenário de elevada volatilidade, com impactos simultâneos sobre energia, câmbio, inflação e política monetária.

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