Salário médio dos trabalhadores atinge R$ 3.722 e bate recorde no Brasil

Rendimento cresce 5,5% acima da inflação em um ano e representa maior valor desde 2012, segundo pesquisa do IBGE divulgada nesta quinta-feira

Por Redação TMC | Atualizado em
Duas mãos contam notas de 50 reais
(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou rendimento médio mensal de R$ 3.722 para os trabalhadores brasileiros no trimestre finalizado em março de 2026. O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (30/04), no Rio de Janeiro. O montante representa o maior valor desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012.

O rendimento apresentou crescimento real de 5,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, já descontada a inflação. Na comparação com o último trimestre de 2025, quando o valor era de R$ 3.662, houve expansão de 1,6%, conforme dados divulgados pela Agência Brasil. Esse é o segundo trimestre consecutivo em que a remuneração média ultrapassa R$ 3,7 mil. No período encerrado em fevereiro, o rendimento havia sido de R$ 3.702.

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A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, atribui parte do resultado ao reajuste do salário mínimo, fixado em R$ 1.621 no início de janeiro.

“Pode ter uma participação já dessa questão do reajuste do salário mínimo, que é uma recomposição e até ganhos reais [acima da inflação].”

Beringuy identifica outro fator relevante. O primeiro trimestre de 2026 registrou redução de 1 milhão de trabalhadores ocupados em relação ao trimestre anterior. A diminuição concentrou-se entre trabalhadores informais, que recebem salários menores.

“Então, a média de rendimento dos que estão ocupados nesse primeiro trimestre de 2026, comparativamente, é maior que a média de rendimento do quarto trimestre”, completa.

O levantamento do IBGE analisa dez grupos de atividades econômicas. Oito deles mantiveram o rendimento médio estável. O comércio registrou alta de 3%, equivalente a R$ 86 adicionais. A administração pública teve aumento de 2,5%, correspondente a R$ 127 a mais.

Massa salarial atinge recorde histórico

A massa salarial total dos trabalhadores atingiu R$ 374,8 bilhões, também o maior valor da série histórica. Esse montante representa a soma de todos os salários dos trabalhadores. Em relação ao primeiro trimestre de 2025, a massa de rendimentos cresceu 7,1% acima da inflação. O aumento representa R$ 24,8 bilhões adicionais na mão dos trabalhadores em um ano.

Contribuição previdenciária alcança patamar inédito

A proporção de trabalhadores que contribuem para a previdência alcançou 66,9% dos ocupados no primeiro trimestre de 2026. Esse é o maior percentual já registrado pela pesquisa. O índice corresponde a 68.174 milhões de trabalhadores com proteção social.

Beringuy associa o recorde de contribuintes à diminuição da informalidade.

“Os informais contribuem menos para a previdência.”

Trabalhadores que contribuem para institutos de previdência adquirem garantias como aposentadoria, benefício por incapacidade e pensão por morte. O IBGE considera contribuintes os empregados, empregadores, trabalhadores domésticos e por conta própria que tenham contribuído para institutos de previdência oficial federal (INSS ou Plano de Seguridade Social da União), estadual ou municipal.

O instituto esclarece que um trabalhador informal, como um trabalhador por conta própria sem CNPJ, pode ser contribuinte individual do INSS.

Informalidade em queda

A taxa de informalidade ficou em 37,3% da população ocupada. O percentual equivale a 38,1 milhões de trabalhadores informais, sem direitos trabalhistas garantidos. No último trimestre de 2025, a taxa estava em 37,6%. No primeiro trimestre de 2025 era de 38%.

A taxa de desemprego no trimestre foi de 6,1%, a menor já apurada para o período desde o início da série histórica. Para os critérios do IBGE, uma pessoa só é considerada desocupada quando efetivamente procurou uma vaga nos 30 dias anteriores à pesquisa.

A Pnad é o principal levantamento sobre emprego no país. A pesquisa apura o comportamento do mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais. O levantamento considera todas as formas de ocupação: com carteira assinada, sem carteira assinada, trabalho temporário e por conta própria. A Pnad visita 211 mil domicílios em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.

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