Subsídio para combustíveis evita alta maior, mas preocupa economista com contas públicas

Fernando Agra avalia que medida do governo ajuda a conter impacto da guerra no petróleo, mas alerta para custos que serão pagos pela sociedade

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Foto: Fernando Agra via Instagram
Foto: Fernando Agra via Instagram

O anúncio do governo federal de um subsídio bilionário para conter a alta dos combustíveis repercutiu entre economistas e especialistas do setor. Em entrevista à TMC, o economista Fernando Agra afirmou que a medida pode aliviar momentaneamente o bolso do consumidor, mas destacou que a conta será paga pela própria sociedade.

Segundo Agra, o objetivo do governo é impedir que a disparada internacional do petróleo seja totalmente repassada ao consumidor final. Ele lembrou que, antes da guerra, o barril do petróleo Brent era negociado abaixo dos US$ 70, mas chegou a atingir US$ 126 e atualmente gira em torno dos US$ 100.

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A ideia do governo é amortecer, segurar um pouco o aumento dos preços para o consumidor final e para a economia como um todo”, explicou.

O economista ressaltou que o Brasil possui forte dependência dos combustíveis fósseis, principalmente do diesel, devido à estrutura logística baseada no transporte rodoviário. Para ele, isso torna inevitável o impacto da alta internacional nos preços internos.

Apesar de reconhecer que a medida pode evitar reajustes mais agressivos, Agra fez um alerta sobre os efeitos fiscais do programa. “Quem vai pagar isso é o governo e, em última instância, a sociedade. Cobrindo um santo e descobrindo outro”, afirmou.

Sobre a possibilidade de redução no preço da gasolina e do diesel, o economista foi cauteloso. Segundo ele, o subsídio não garante queda nos preços, mas sim uma tentativa de impedir novos aumentos. “Não dá para esperar que o combustível baixe. A ideia é que pelo menos não haja aumentos”, disse.

Agra também defendeu uma fiscalização rigorosa para evitar que postos de combustíveis absorvam os benefícios do subsídio sem repassar ao consumidor. Segundo ele, o setor possui baixa concorrência em diversas regiões do país, o que pode favorecer abusos.

O governo precisa fiscalizar para que esses benefícios cheguem à ponta”, destacou.

Ao comentar a promessa do governo de utilizar royalties do petróleo para financiar a medida, o economista afirmou que ainda é cedo para saber se os recursos serão suficientes. Pelos cálculos apresentados por ele, a despesa estimada pode ultrapassar R$ 4 bilhões somando gasolina e diesel.

Falar que vai dar é uma coisa. Ver de fato se isso vai dar é outra”, ponderou lembrando ser impossível fazer uma avaliação mais assertiva uma vez que não tem acesso as receitas de royalties.

Fernando Agra ainda avaliou que o pacote também possui impacto político, especialmente por ocorrer em período eleitoral e afirmou que os recursos poderiam ser direcionados para investimentos sociais ou para aumentar a competitividade da economia brasileira.

Parte dos preços das nossas mercadorias tem um peso muito grande da tributação. Tornar as empresas mais eficientes e diminuir a carga tributária seria importante”, concluiu.

Leia mais: Governo federal anuncia subsídio de R$ 272 milhões mensais para gasolina

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