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Especialista em inovação e economia criativa. Em sua coluna, explora as transformações da creator economy, novos formatos de mídia e as estratégias comerciais que estão moldando o futuro da comunicação digital.

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A taxonomia do vídeo vertical

GloboPop, Netflix, TikTok e a reconfiguração do mercado de vídeo que se tornou um jogo de soma zero. Nesse contexto, é menos uma questão de formato: o que importa é para onde a atenção da audiência se direciona

Por Eduardo Mendes | Atualizado em
(Foto: Divulgação Globo)

Como um complemento à jornada do usuário no universo dos vídeos verticais, e não um produto para substituir as plataformas das big techs que determinam o padrão de consumo digital, o Globopop foi lançado na semana passada para “organizar esse consumo dentro do ecossistema Globo”.

A explicação foi dada por Patricia Fontes a Renan Martins Frade para debater sobre a nova aposta da emissora no que o jornalista chama de um dos campos de batalha mais importantes do entretenimento.

Junto a Rodolfo Bastos, diretor de produtos, a chefe de entretenimento da Globo defende a competição pelo tempo por meio destes “micro-momentos”. O jornalista vê a plataforma como um “meio-termo” e afirma que o “organizar” remete à “estratégia”.

Na quarta-feira passada, Ian Whittaker trouxe uma provocação oportuna para a discussão que irei propor aqui: a maioria das empresas de mídia e tecnologia não tem uma estratégia. O analista aponta que essas organizações apoiam-se em planos operacionais “que chamam de estratégia”.

“Estratégia responde ‘para que fim?’ antes de ‘quanto?’ ou ‘com que rapidez?'”, escreveu.

Quando Frade aponta que a Globo, ao escolher ter sua plataforma proprietária, prioriza o controle em vez do ambiente, fica claro onde a organização quer chegar. E esse é um ótimo sinal.

No grupo das big techs, citadas por Whittaker como empresas que acertam, está a Meta (dona do Instagram e que tem o Reels com uma taxa de execução anual acima de US$ 50 bilhões), como uma das que têm uma teoria definida sobre onde o valor vai se concentrar a seguir, alocando capital de acordo.

Como tem dito Hernan Lopez desde o início deste ano, o vídeo vertical é agora um “terceiro idioma audiovisual”. E ele está se profissionalizando em todos os gêneros: comédia, notícias, esportes, animação.

Na semana passada, o analista trouxe dados que mostram o tempo móvel gasto globalmente no primeiro trimestre de 2026:

Recentemente, Andrew A. Rose disse que o mercado de vídeo se tornou um jogo de soma zero, com um teto cada vez menor. Neste contexto, é menos uma questão de formato: o que importa é para onde a atenção da audiência se direciona.

A Netflix acabou de anunciar que lançará um aplicativo mobile reformulado com feed de vídeos vertical no final de abril. Em carta, afirmou que as linhas entre “entretenimento na TV e em dispositivos móveis estão se confundindo”. O Co-CEO Greg Peters já havia dito em janeiro que a reformulação da UI mobile serviria para “expandir o negócio na próxima década”.

No primeiro mês de 2026, Lopez havia estimado que o espaço do vídeo vertical já era uma indústria de mais de US$ 100 bilhões. E, apesar de ter pouco mais de uma década, ele se expandirá primeiro para capturar todo tipo de TV, depois cada subgênero.

Aqui, o formato também não deve ser entendido como um modelo de negócio purista. Incluo neste debate a tese de Maureen Kerr, que especula sobre o que acontece quando o TikTok domina o cenário e os shows se desenrolam em um drama vertical.

Como bem colocou Lopez, os microdramas foram os primeiros a trazer a narrativa roteirizada, seriada e em equipe para o vertical.

O ponto defendido por Kerr é não confundir “microdrama” com um modelo de negócio. “Formatos podem operar sob lógicas de monetização completamente diferentes”, defende.

Ao lançar o PineDrama, minisséries de ficção contadas em episódios verticais de um minuto, em um feed que funciona como o produto principal do TikTok, a plataforma, argumenta Kerr, recusa a escolher uma categoria: é gratuito, sem paywall, assinatura ou funil de desbloqueio.

A analista argumenta que o PineDrama reforça três restrições simultaneamente ao introduzir uma alternativa gratuita no topo do mesmo funil: custo de aquisição de cliente, período de retorno do investimento e relação custo de conteúdo versus valor vitalício do cliente.

No fim, a taxonomia original descrevia como o conteúdo é monetizado, mas não contemplava o que acontece quando a plataforma de distribuição dominante se integra verticalmente à propriedade do conteúdo.

Agora, diz Kerr, a infraestrutura de distribuição é quem está se tornando o modelo de negócio.

Como mostrei no início deste ano, se tudo é TV, o dinheiro segue o mesmo caminho. Em meio à escalada do vídeo vertical, plataformas, independentemente do ponto de partida, evoluem para algo funcionalmente indistinguível da televisão, conforme colocou Derek Thompson.

E a Globo também almeja um lugar neste jogo sem fim.

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