Dan Reed, cineasta responsável pelo documentário “Deixando Neverland”, criticou produções recentes sobre Michael Jackson por omitirem acusações de abuso sexual infantil contra o cantor. A declaração foi feita ao The Hollywood Reporter nesta quarta-feira (23/04). Reed também comparou Jackson ao financista Jeffrey Epstein e detalhou o processo que resultou na saída de seu filme da HBO.
O diretor questionou a autenticidade de cinebiografias atuais sobre o artista. Reed direcionou críticas ao filme sob direção de Antoine Fuqua, apontando um movimento de apagamento das acusações que envolvem o cantor. “Como é possível contar uma história autêntica sobre Michael Jackson sem jamais mencionar o fato de que ele foi seriamente acusado de abuso infantil?”, questionou.
Reed afirmou que fatores econômicos determinam a narrativa sobre Jackson. O cineasta ironizou posicionamentos do diretor da cinebiografia, declarando que “todos os envolvidos estão apenas ganhando dinheiro fácil”. Segundo o diretor, há “muito dinheiro a ser ganho” com produtos relacionados ao cantor, o que levaria parte do mercado a evitar temas sensíveis.
A comparação mais polêmica da entrevista equiparou Jackson ao financista Jeffrey Epstein. “Esse cara era pior que Jeffrey Epstein”, afirmou Reed.
A saída do documentário da HBO resultou de acordo judicial envolvendo o espólio de Michael Jackson. Os herdeiros do cantor recorreram a um contrato de 1992 que continha cláusula de não difamação. “Eles argumentaram que essa cláusula significava que a HBO não poderia dizer nada de negativo sobre Michael”, explicou o cineasta. Reed considerou a interpretação “ridícula”.
Após negociações, a plataforma decidiu remover o filme de seu catálogo. O diretor indicou que a obra poderá ser redistribuída no futuro, uma vez que os direitos têm prazo limitado.
Sobre o processo de investigação para o documentário, Reed revelou mudança de postura. “Comecei sendo cético e terminei convencido de que Wade e James tinham uma história real para contar”, declarou. A afirmação refere-se a Wade Robson e James Safechuck, que protagonizam o filme exibido em 2019.
Reed reconheceu que o impacto de “Deixando Neverland” sobre a imagem de Michael Jackson ficou abaixo do esperado. Sobre a recepção do documentário, o diretor observou: “Diz que as pessoas não se importam”.
O cineasta analisou a relação do público com o artista. “É como uma religião. Eles o veem como uma figura pura, e qualquer crítica vira blasfêmia”, afirmou Reed.
O diretor falou que não defende o “cancelamento” do cantor. Reed considera que o público deveria avaliar todas as dimensões da trajetória de Jackson. “Se você vai curtir a música dele, também precisa considerar quem ele era”, pontuou.
Leia mais: Virginia aposta no fitness e vira destaque em maior evento do setor




