Luiz Carlos Barreto, que morreu nesta quarta-feira (22/07), é peça-chave para entender a história do cinema brasileiro. Produtor, fotógrafo e diretor, trabalhou durante mais de seis décadas pelo fortalecimento do audiovisual e se eternizou assinando alguns dos principais filmes da nossa cultura.
A TMC lista 10 filmes essenciais para que explicam a importância de Luiz Carlos Barreto para o cinema nacional:
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“Garrincha, Alegria do Povo” (1962): em tempos de apagamento histórico no futebol atual, o documentário dirigido por Joaquim Pedro de Andrade com roteiro de Luiz Carlos Barreto torna-se prova incontestável da genialidade do Anjo das Pernas Tortas, que liderou a Seleção na conquista do bicampeonato da Copa do Mundo, em 1962, após lesão de Pelé.
“Vidas Secas” (1963): Barretão assinou a direção de fotografia do primeiro filme de sua empresa, L.C. Barreto Produções Cinematográficas. Clássico do Cinema Novo dirigido por Nelson Pereira dos Santos, a adaptação audiovisual do romance de Graciliano Ramos chegou a ter cópias censuradas pela ditadura militar, porém conseguiu atravessar o Oceano Atlântico e conquistou o prêmio da crítica no Festival de Cannes, em 1964.
“Terra em Transe” (1967): também premiado pela crítica no Festival de Cannes, em 1967, a obra-prima dirigida por Glauber Rocha e produzida por Luiz Carlos Barreto, lançada um ano antes da promulgação do AI-5, traz uma afiada crítica à corrupção política e a desigualdade social no Brasil após o golpe militar e foi alvo de censura governamental.
“Brasil Ano 2000” (1969): o filme de Walter Lima Jr., do qual Barretão é produtor associado, conquistou o segundo Urso de Prata do Brasil no Festival de Berlim. O longa-metragem projeta o país do ano 2000, devastado após a Terceira Guerra Mundial, em mais uma crítica aos problemas sociais do Brasil em plena ditadura militar.
“Isto é Pelé” (1974): o único longa-metragem dirigido por Luiz Carlos Barreto mostra a trajetória do camisa 10 desde o início profissional no Santos até sua despedida dos gramados, após três Copas do Mundo conquistadas e mais de 1.000 gols em 18 anos de carreira. O documentário eterniza o maior reinado do futebol mundial e refuta qualquer tentativa de comparar Pelé a qualquer jogador do futebol atual.
“Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976): durante 34 anos, ostentou a maior bilheteria da história do cinema nacional, atraindo 10.735.524 espectadores. A adaptação cinematográfica da obra de Jorge Amado teve Barretão como produtor e seu filho, Bruno Barreto, como diretor, ganhando inclusive um remake norte-americano em 1982.
“Bye Bye Brasil” (1979): três artistas ambulantes viajam pelas regiões Nordeste e Norte do Brasil em uma das obras mais conhecidas do diretor Cacá Diegues, que morreu em 2025. Produzido pela L.C. Barreto Produções Cinematográficas, o longa-metragem marcou a renovação do cinema nacional com a primeira indicação à Palma de Ouro do Festival de Cannes após nove anos.
“Memórias do Cárcere” (1984): duas décadas após “Vidas Secas”, Luiz Carlos Barreto e Nelson Pereira dos Santos voltaram a adaptar uma obra de Graciliano Ramos, desta vez o relato da experiência do escritor na prisão durante o Estado Novo, regime ditatorial de Getúlio Vargas. Como em 1964, o filme recebeu o prêmio da crítica em Cannes.
“O Quatrilho” (1995): obra fundamental na retomada do cinema brasileiro na década de 1990, o filme foi produzido por Barretão e Lucy Barreto e dirigido pelo filho do casal, Fábio Barreto. A curiosa relação entre dois casais de amigos recebeu a primeira indicação do Brasil ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 33 anos, pavimentando as futuras nomeações e conquistas internacionais.
“O que é Isso, Companheiro? (1997): em nova produção familiar, com o casal Barreto na produção e o filho Bruno Barreto na direção, a adaptação audiovisual das memórias de Fernando Gabeira durante a ditadura militar rendeu a segunda indicação consecutiva do Brasil ao Oscar de Melhor Filme Internacional.




