A 36ª edição do Prêmio Shell de Teatro, realizada na noite desta terça-feira (18/03), no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, teve como grande destaque a homenagem à atriz e cantora Zezé Motta, um dos nomes mais importantes da cultura brasileira.
Criado em 1988, o prêmio é considerado o mais longevo do teatro nacional, reconhecendo anualmente artistas e espetáculos que se destacam nos palcos do Rio de Janeiro e de São Paulo. A cerimônia deste ano foi apresentada por Débora Falabella — vencedora de melhor atriz em 2025 — e pelo ator Silvero Pereira.
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“Eu acho fundamental que a gente tenha um prêmio que reconheça o valor dessa que é a arte primeira. Para onde a gente tem que voltar, os atores têm que voltar, porque é aquilo que nos forma e que forma realmente plateia”, disse à TMC a atriz Marianna Armellini, “Quem faz teatro sabe a força que é você contar uma história pra uma pessoa que tá ali respirando com você, acompanhando, respondendo na hora àquilo que você instigou — seja o riso, o choro, o drama ou o pensamento. Vocês se movem juntos. Isso é deslumbrante.”
A escolha de Zezé Motta reconhece uma trajetória de mais de seis décadas dedicadas às artes cênicas, à música e à luta por representatividade. Nascida em Campos dos Goytacazes (RJ), a artista se consolidou como um dos principais nomes na transformação da presença negra no teatro, no cinema e na televisão brasileira.
O marco de sua carreira veio em 1976, com o filme “Xica da Silva”, dirigido por Cacá Diegues. A atuação projetou Zezé internacionalmente e rompeu estereótipos ao apresentar uma personagem negra com protagonismo, força e complexidade.
Ao longo dos anos, a artista também se destacou pelo ativismo. Nos anos 1980, fundou o Centro de Informação e Documentação do Artista Negro (CIDAN), iniciativa pioneira voltada à ampliação de oportunidades para profissionais negros no audiovisual e no teatro.
Além da atuação, Zezé construiu uma carreira sólida na música, com interpretações marcantes de compositores brasileiros, e participou de dezenas de produções na televisão e no cinema. Sua trajetória multifacetada a consolidou como referência artística e símbolo de resistência cultural.
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Na edição de 2026, o Prêmio Shell reuniu 45 espetáculos e mais de 90 profissionais indicados em nove categorias, considerando montagens apresentadas ao longo de 2025. A premiação também destacou produções de todo o país na categoria Destaque Nacional, além de iniciativas de impacto social na categoria Energia que Vem da Gente.
Confira os vencedores
Vencedores – Júri do Rio de Janeiro
- Dramaturgia: Mauricio Lima e Tainah Longras, por “Vinte”
- Direção: Camila Bauer, por “Instinto”
- Ator: Eduardo Moscovis, por “Motociclista no Globo da Morte”
- Atriz: Larissa Luz, por “Torto Arado – o musical”
- Cenário: Cachalote Mattos, por “À Vinha d’Alhos”
- Figurino: Ananda Almeida e Raphael Elias, por “Negra Palavra – Poesia do Samba”
- Iluminação: Marina Arthuzzi, por “Velocidade”
- Música: Muato, pela direção musical de “Vinte”
- Energia que vem da gente: Turma Ok, pela trajetória de mais de 60 anos como espaço de acolhimento LGBTQIAPN+
Vencedores – Júri de São Paulo
- Dramaturgia: Silvia Gomez, por “Lady Tempestade”
- Direção: Rodrigo Portella, por “(Um) ensaio sobre a cegueira”
- Ator: Renato Livera, por “Deserto”
- Atriz: Sirlea Aleixo, por “Furacão”
- Cenário: Luh Maza, por “Carne Viva”
- Figurino: Eder Lopes, por “Pai Contra Mãe ou Você Está Me Ouvindo?”
- Iluminação: Dimitri Luppi e Wagner Antonio, por “Filoctetes em Lemnos”
- Música: Clara Potiguara, pela trilha original de “Tybyra – Uma Tragédia Indígena Brasileira”
- Energia que vem da gente: Leda Maria Martins, por sua contribuição acadêmica e artística às performances afro-diaspóricas




