Valor solicitado por Flávio Bolsonaro seria capaz de financiar metade da série sobre Ayrton Senna

Para que o filme sobre Jair Bolsonaro pudesse se pagar, seria necessária uma base de espectadores duas vezes maior que a de “Ainda Estou Aqui” e próxima à de “Moana 2”.

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(FOTO: Montagem/Pôster de Divulgação/Disney/Netflix/GOUP Entertainment)

O aporte adicional feito por Flávio Bolsonaro para o banqueiro dono do Master, Daniel Vorcaro, poderia financiar metade da série dedicada ao piloto brasileiro Ayrton Senna. Em áudios revelados pelo The Intercept, Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões para o banqueiro Daniel Vorcaro.

O valor que deveria ter sido pago à produtora de “Dark Horse” poderia bancar praticamente 53,6% do seriado. Apesar de a Netflix não divulgar os valores para produzir a minissérie “Senna”, sobre o piloto brasileiro de Fórmula 1 Ayrton Senna, o mercado estima que a produção tenha custado entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões.

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Para que o filme se pagasse, o público médio nas salas de cinema deveria ser maior que o de “Ainda Estou Aqui” e “Moana 2”. Ao todo, seria necessária a venda de mais de 6.740.440 ingressos, número próximo ao público do filme da Disney, que teve 7,8 milhões de espectadores.

Dados da Ancine mostram ainda que o filme brasileiro ganhador do Oscar levou quase 3 milhões de espectadores aos cinemas em 2024. Para esses cálculos, foi considerado o valor médio do ingresso de R$ 19,88, conforme relatório de 2024 da Agência Nacional do Cinema.

O que seria possível produzir com R$ 134 milhões?

“Dá para dizer que seria possível fazer de 50 a 60 filmes (de orçamento de R$ 4 milhões) com esse montante, que seria a doação feita pelo Banco Master a essa produção”, explica o diretor da Associação de Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API), Pedro Guindani.

No mundo dos curtas-metragens — filmes com até 15 minutos —, seria possível fazer 893 filmes. Tomando como base o mais recente edital da Política Nacional Aldir Blanc da Spcine para o desenvolvimento de curtas-metragens, cada produção teria um aporte de R$ 150 mil.

O valor total destinado pela Prefeitura de São Paulo ao edital é de R$ 1,8 milhão, cerca de 1,12% do valor pedido por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro.

“Se a gente tivesse um tipo de aporte desse, acho que por muita edições o Festival (Internacional de Curtas de São Paulo) estaria resolvido e conseguiria trazer realizadores de todo Brasil e do mundo. Não teríamos que nos preocupar com nenhum tipo de capitação”, explica Nathalya Macchia, produtora e membro da associação cultural Kinoforum.

Em 2026, a Kinoforum organiza o 36º Festival Interncional de Curtas de São Paulo, além de promover cursos de capacitação e aperfeiçoamento para cineastas brasileiros. Uma outra frente da organização é a internacionalização dos diretores brasileiros através do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferran, na França.

Quanto custa fazer um filme no Brasil?

No mercado nacional de audiovisual, o valor de R$ 134 milhões é considerado fora do comum. Até o momento, o filme mais caro já produzido no Brasil foi “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles e vencedor do Oscar de Filme Internacional em 2025.

No entanto, não se sabe exatamente o orçamento dele, visto que o valor foi pago inteiramente de forma privada. Segundo estimativas do mercado, o valor esteve entre R$ 45 milhões e R$ 50 milhões.

O filme teria um orçamento maior do que o de produções como “O Agente Secreto” (cerca de R$ 28 milhões), “Nosso Lar” (cerca de R$ 49 milhões), “Lula, o Filho do Brasil” (R$ 44 milhões) e “Tropa de Elite 2” (cerca de R$ 29,5 milhões).

“É uma margem muito grande em relação à média da produção brasileira (independente), que fica em torno de R$ 10 milhões. Os maiores filmes ficam em torno de R$ 20 milhões. É um valor muitíssimo desproporcional à realidade brasileira”, afirma Guindani.

Leia mais: Flávio Bolsonaro pediu R$ 61 milhões de Vorcaro para filme sobre o ex-presidente

Para onde vai o orçamento de um filme?

O elenco fica com a maior fatia do orçamento. Em “Dark Horse”, o ator escalado para viver o ex-presidente Jair Bolsonaro foi Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em “A Paixão de Cristo”, dirigido por Mel Gibson.

“Ainda que não seja um ator tão conhecido na cena do cinema, ele é muito reconhecido e tem muita repercussão na direita norte-americana por suas posições políticas. Ele é um nome que traz legitimação perante o público norte-americano”, explica Guindani.

O cenário também pode elevar os custos de produção. No caso da minissérie da Netflix, “Senna”, foi necessário fechar os autódromos e pistas onde o tricampeão mundial de Fórmula 1 correu. Além disso, a alimentação e a contratação de figurantes também pesam na conta das produtoras.

Leia mais: 001 – Permissão para Cobrar: O Homem com o Roteiro de R$134 Milhões

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