As últimas 24h foram totalmente marcadas por controle de danos de um lado e artilharia pesada em campo do outro.
Enquanto Flávio Bolsonaro tentava se justificar, o Partido dos Trabalhadores (PT) e todo o núcleo da esquerda trabalhavam forte nas redes sociais e em entrevistas à mídia, atacando Flávio e sua relação com Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Mas o que mais chamou a atenção foi que Flávio, na tentativa de explicar a situação, acabou abrindo ainda mais brechas, e o desgaste já tomou proporções maiores. Isso porque a Polícia Federal vai investigar se o dinheiro que, em tese, financiou o filme não foi, na verdade, usado para financiar Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde vive desde 2025.
Flávio divulgou uma nota ontem e disse que “é preciso restabelecer os fatos e separar investigação séria de tentativa de contaminação política”.
Nas conversas divulgadas pelo site Intercept, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro chama Daniel Vorcaro de “irmão”, “mermão” e chega a dizer que “não tem meia conversa entre a gente”.
Uma das estratégias de Flávio (se é que podemos chamar assim) tem sido dizer que essas palavras de maior intimidade são, na verdade, expressões do dia a dia usadas pelos cariocas… Enfim, quanto mais mexe e tenta arrumar, mais piora sua situação. Afinal, chamar alguém de “mermão” não é a questão.
A questão é um senador da República chamar um banqueiro de “irmão” para cobrar centenas de milhões de reais dias antes da prisão dele por corrupção. Tudo isso em um momento em que o mercado financeiro e o mundo de Brasília já sabiam, há pelo menos um ano, das suspeitas sobre o Banco Master. As suspeitas envolviam carteiras de crédito falsas, operações consideradas insustentáveis e balanços financeiros vistos como suspeitos.
Dito tudo isso, desde ontem vemos os principais políticos se posicionando sobre a questão.
Romeu Zema foi um dos primeiros a reagir, ainda anteontem, e se posicionou fortemente contra Flávio, o que pode fazer com que ele cresça marginalmente no debate público por agora, absorvendo parte do seu eleitorado no curto prazo. Mas ainda é precoce dizer que isso vai persistir até outubro.
Ronaldo Caiado adotou postura diferente da de Zema, defendendo mais união no campo da direita e evitando ataques diretos a Flávio. Isso, porém, não significa retirada de candidatura ou alinhamento. Trata-se de uma estratégia distinta para disputar o mesmo eleitorado.
E, no governo, ainda existe cautela em relação ao surgimento de novos fatos envolvendo aliados de Lula. Apesar disso, a percepção predominante é de que a maior parte dos desgastes atuais recai sobre nomes ligados à oposição, o que faz com que o Planalto enxergue, na margem, saldo político favorável na continuidade das investigações.
De toda forma, o governo segue com o radar ligado para outros episódios de corrupção envolvendo o PT, além de vínculos políticos de Daniel Vorcaro na Bahia, estado essencial para a estratégia eleitoral de Lula.
Seguimos acompanhando mais este longa-metragem da política nacional.