Andrea Kimi Antonelli entrou para a história da Fórmula 1 neste domingo (06/09). Ao vencer o Grande Prêmio da Itália, em Monza, o piloto da Mercedes encerrou um jejum de 60 anos sem um italiano no topo do pódio da tradicional prova. Antes dele, apenas três pilotos do país haviam conquistado a corrida em casa: Nino Farina, Alberto Ascari e Ludovico Scarfiotti.
O feito de Antonelli ganha ainda mais peso pela trajetória na corrida. O italiano largou em 20º lugar após uma punição no grid e avançou pelo pelotão até assumir a liderança nas voltas finais. A vitória colocou novamente um piloto da casa no lugar mais alto do pódio de Monza, algo que não acontecia desde 1966.
Nino Farina: o primeiro italiano a vencer em Monza
A história começou em 1950, na primeira temporada do Mundial de Fórmula 1. Nino Farina foi o vencedor do Grande Prêmio da Itália daquele ano, disputado em Monza pela Alfa Romeo.
O triunfo aconteceu em uma temporada histórica para o piloto. Farina também conquistou o primeiro Campeonato Mundial de Pilotos da Fórmula 1, tornando-se o primeiro campeão da categoria.
A vitória em Monza ajudou a construir uma das primeiras grandes histórias do automobilismo italiano na principal categoria do mundo.
Alberto Ascari: vitória italiana com a Ferrari
No ano seguinte, em 1951, outro italiano venceu em Monza. Alberto Ascari levou a Ferrari ao primeiro lugar no GP da Itália e manteve o público local celebrando uma vitória nacional pelo segundo ano consecutivo.
Ascari era um dos principais nomes da primeira geração da Fórmula 1 e também se tornaria campeão mundial. Seu triunfo em Monza reforçou a ligação entre os pilotos italianos, a Ferrari e o circuito.
Ludovico Scarfiotti: o último antes de Antonelli
Foram necessários 15 anos para que outro italiano voltasse a vencer em Monza. Em 1966, Ludovico Scarfiotti conquistou o GP da Itália pela Ferrari.
Aquele triunfo acabaria se tornando um marco ainda maior do que se imaginava. Scarfiotti passou a ser o último italiano a vencer a prova em Monza por seis décadas.
A partir de então, a torcida italiana continuou acompanhando grandes vitórias no circuito, muitas delas protagonizadas pela Ferrari, mas sempre com pilotos estrangeiros no comando dos carros.
O jejum atravessou diferentes gerações da Fórmula 1 e nomes importantes do automobilismo italiano chegaram a competir em Monza sem conseguir repetir o resultado.
O longo jejum italiano
Entre 1966 e 2026, pilotos italianos continuaram presentes na Fórmula 1, mas nenhum conseguiu transformar a corrida em casa em vitória.
Jarno Trulli, por exemplo, conquistou a pole position em Monza em 2004, mas não conseguiu terminar a prova no primeiro lugar. Outros representantes do país, como Michele Alboreto e Giancarlo Fisichella, também tiveram passagens importantes pela categoria, mas ficaram sem vencer o GP da Itália em Monza.
Enquanto isso, a Ferrari continuou colecionando momentos históricos no circuito, com pilotos estrangeiros ocupando o topo do pódio.
Foi nesse cenário que Antonelli chegou à corrida de 2026. Aos 20 anos, o piloto carregava não apenas a expectativa de uma torcida que esperava por um vencedor italiano, mas também a oportunidade de fazer algo que nenhuma outra geração havia conseguido desde Scarfiotti.
Antonelli escreve um novo capítulo
A vitória deste domingo (06/09) parecia improvável quando a corrida começou. Antonelli largou apenas na 19ª posição, mas foi recuperando posições ao longo da prova.
A corrida também teve um momento de interrupção após o acidente de Charles Leclerc, que exigiu a limpeza da pista. Depois da retomada, Antonelli continuou avançando e entrou definitivamente na disputa pela vitória.
Na parte final, a briga pelo primeiro lugar ficou entre os dois pilotos da Mercedes. Antonelli ultrapassou George Russell a quatro voltas do fim e assumiu a liderança.
Depois de 60 anos, um italiano voltava a vencer em Monza.




