O Dia da Independência dos Estados Unidos, celebrado em 4 de julho, já foi palco de uma das vitórias mais marcantes da história da Seleção Brasileira. Nas oitavas de final da Copa do Mundo de 1994, o Brasil derrotou os anfitriões por 1 a 0, em um confronto dramático disputado no Stanford Stadium, na Califórnia, e deu um passo decisivo rumo à conquista do tetracampeonato.
Mais de 84 mil torcedores lotaram o estádio para apoiar a seleção americana. Embalada pelo patriotismo do feriado nacional, a equipe dos EUA, comandada pelo sérvio Bora Milutinović, entrou em campo disposta a dificultar ao máximo a vida dos brasileiros. Sem a mesma qualidade técnica do adversário, apostou em forte marcação, muitas faltas e contra-ataques.
O cenário ficou ainda mais complicado para o Brasil aos 43 minutos do primeiro tempo. O lateral Leonardo foi expulso após acertar uma cotovelada no meia Tab Ramos, que sofreu uma fratura no crânio e precisou ser hospitalizado. O brasileiro acabou suspenso por quatro partidas e não voltou a atuar naquela Copa.
Com um jogador a menos durante todo o segundo tempo, a equipe dirigida por Carlos Alberto Parreira precisou reorganizar sua estratégia. A dupla de volantes Dunga e Mauro Silva teve atuação decisiva para equilibrar a marcação, enquanto o talento da dupla Romário e Bebeto fez a diferença no ataque.
Aos 27 minutos da etapa final, Romário arrancou pelo meio e encontrou Bebeto livre na direita. O atacante bateu cruzado para marcar o único gol da partida. Na comemoração, puxou o companheiro pela camisa e gritou “Eu te amo!”, em uma das imagens marcantes da parceria entre os dois durante aquele Mundial.
Depois do gol, o Brasil suportou a pressão dos donos da casa até o apito final e garantiu a classificação para as quartas de final.
Vitória virou ponto de virada na campanha
O triunfo sobre os Estados Unidos é lembrado como a “virada de chave” da campanha brasileira em 1994. Além de superar um adversário motivado pelo fator casa e pelo simbolismo do feriado nacional, a Seleção mostrou capacidade de vencer mesmo em inferioridade numérica e sob forte desgaste físico provocado pelo calor da Califórnia.
A confiança adquirida naquele jogo foi levada para as fases seguintes do torneio.
Nas quartas de final, em 09/07, o Brasil derrotou a Holanda por 3 a 2, em uma das partidas mais emocionantes da Copa, com gol decisivo de Branco, substituto de Leonardo.
Na semifinal, em 13/07, venceu a Suécia por 1 a 0, graças ao histórico gol de cabeça de Romário, apesar da forte marcação sueca.
Já na decisão, em 17/07, empatou sem gols com a Itália e conquistou o tetracampeonato mundial ao vencer por 3 a 2 nos pênaltis, em uma final eternizada pelo chute de Roberto Baggio por cima do travessão.
O 4 de Julho impulsionou os anfitriões
Para os Estados Unidos, o confronto também teve enorme significado. Disputado no principal feriado nacional, o duelo foi tratado como o maior evento da história do futebol do país até então.
A atmosfera patriótica tomou conta do Stanford Stadium, onde a torcida acreditava que poderia derrubar uma das maiores potências do futebol mundial. Sem uma liga profissional consolidada — a MLS só seria criada em 1996 —, muitos jogadores americanos eram mantidos sob contrato pela federação apenas para se preparar para a Copa disputada em casa.
Vestindo o icônico uniforme estampado com estrelas e textura que imitava jeans, os americanos resistiram durante boa parte da partida e aproveitaram a vantagem numérica após a expulsão de Leonardo. Ainda assim, não conseguiram impedir que o Brasil avançasse.
Trinta e dois anos depois, o jogo segue como um dos capítulos mais emblemáticos da campanha do tetra: uma vitória conquistada justamente em pleno 4 de Julho, diante dos donos da casa, que fortaleceu a Seleção antes da caminhada até o título mundial.
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