Um procedimento administrativo foi aberto pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para apurar a relação financeira entre o Corinthians e a Caixa Econômica Federal referente ao financiamento da Neo Química Arena. No centro da questão está uma análise pericial que indica que o valor cobrado pela Caixa pode ser superior ao que o clube efetivamente deve, e que, em tese, o estádio poderia já estar quitado.
O promotor Cássio Conserino está à frente das apurações, que foram desencadeadas por uma denúncia do perito Anísio Castelo Branco, CEO do Instituto de Perícia Investigativa. “A Caixa teria errado nos cálculos apresentados ao Corinthians e, consequentemente, dando um valor a mais de R$ 280 milhões, que atualizados em agosto de 2026, chega na beira de uns R$ 455 milhões“, aponta Conserino.
Juros sem padrão e possível erro de 2019
Castelo Branco também apontou inconsistências nos encargos aplicados ao financiamento. Segundo o perito: “Tem que mostrar quanto de juros eles estão cobrando nas parcelas em atraso, porque eu encontrei juros que variam de 19% ao mês a quase, se não me engano, 450% ao mês.Não tem padrão nenhum”.
Conserino afirmou que o possível erro matemático teria ocorrido em 2019, durante a atualização do financiamento. Segundo ele: “Pela perícia encaminhada ao Ministério Público pelo representante, que diga-se de passagem também é perito, aquele documento reflete um pagamento a mais. E, por via de consequência, a Arena já estaria quitada por conta desse pressuposto matemático equivocado ocorrido em 2019”. A ressalva é importante: essa conclusão depende da confirmação dos cálculos apresentados na perícia.
Como surgiu a dívida
Em 2013, o contrato de financiamento da Neo Química Arena foi firmado, com crédito de até R$ 400 milhões liberado ao Corinthians para a construção do estádio. Ao longo dos anos, o clube afirma ter desembolsado um total de aproximadamente R$ 600 milhões.
Em 2022, sob a presidência de Duílio Monteiro Alves, a dívida passou por um processo de reestruturação, após o qual o saldo devedor ficou em torno de R$ 700 milhões. O contrato renegociado prevê encargos calculados com base na taxa Selic acrescida de 2% ao ano, com pagamentos trimestrais e prazo final em dezembro de 2041.
Cada parcela trimestral gira entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões. No primeiro semestre de 2025, o Corinthians pagou cerca de R$ 60 milhões, e os desembolsos realizados ao longo de 2026 somam aproximadamente R$ 56 milhões até o momento.
Segundo o clube, o saldo devedor atual é de cerca de R$ 642 milhões. Entre novembro de 2024 e novembro de 2025, uma mobilização da torcida conseguiu reunir R$ 41 milhões destinados à amortização da dívida, conforme divulgado pela TV Record.
O que dizem as partes
Questionada sobre o caso, a Caixa Econômica Federal declarou não comentar operações de crédito específicas. O Corinthians, por sua vez, não respondeu aos contatos feitos pela TV Record.




