Capacete com chifres: o mito viking que a Copa expôs

Erling Haaland usou elmo com chifres após classificação para as oitavas, mas a imagem do viking com chifres foi criada séculos depois da Era Viking

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Capacete com chifres: o mito viking que a Copa expôs
REUTERS/Issei Kato

Erling Haaland vestiu um capacete com chifres para comemorar a classificação da seleção norueguesa para as oitavas de final da Copa do Mundo. O duelo com o Brasil está marcado para neste domingo (05/07). Mas o símbolo que ele escolheu esconde uma história curiosa: vikings nunca usaram esse tipo de capacete.

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A imagem foi criada séculos depois da Era Viking, de acordo com Johnni Langer em entrevista ao g1, docente vinculado ao Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Sua origem está na liberdade poética de artistas europeus, e não em registros históricos.

De onde veio o mito

No século 18, nações europeias buscavam construir imagens de poder e força. Segundo Langer, “as nações estavam procurando disseminar imagens de estados fortes e marciais, então esta imagem caiu como uma luva”. Artistas escandinavos foram influenciados pela tradição alemã de retratar guerreiros germânicos com capacetes de chifres.

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Os chifres tinham um apelo simbólico claro. Na antiguidade, eles representavam força, poder e virilidade masculina. Isso os tornava perfeitos para a narrativa que os estados queriam construir sobre seus ancestrais guerreiros.

A disseminação em massa veio com a música. As óperas do compositor alemão Richard Wagner transformaram lendas nórdicas em dramas musicais de grande alcance. A partir dos anos 1870, conforme Langer, “essa imagem chega na Europa, Estados Unidos e até no Brasil”.

O viking real era diferente

Além do capacete, outros estereótipos também não resistem à história. Langer afirma que não existia um único tipo físico entre os nórdicos. Havia pessoas altas, fortes e loiras, mas também indivíduos mais baixos e de cabelos escuros.

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Os vikings também realizavam casamentos com populações de outras regiões. Segundo o professor, “existiam casamentos interétnicos, até com populações siberianas, asiáticas e de outros locais”.

O termo “viking”, aliás, designava uma atividade, a de piratas e saqueadores, e não um povo específico.

A remada também é invenção moderna

Outra marca da torcida norueguesa nesta Copa tem origem igualmente recente. Em março de 2026, o professor norueguês Ole Frøystad idealizou a coreografia de remada com o objetivo de criar um cântico simples que conseguisse engajar os torcedores.

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A ideia foi testada pela primeira vez em um amistoso contra a Suíça, um dos últimos compromissos da seleção antes do Mundial. Segundo Langer, “Remar era uma atividade prática executada em navios de guerra, que tinham velas e remos. Nos mercantes só tinha uma vela, sem remos. Não existia qualquer tipo de comemoração, ritual religioso ou festa que envolvesse remadas. Isso é uma invenção moderna”.

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