Arthur Igreja
Arthur Igreja Mais sobre o autor

Arthur Igreja é especialista em Tecnologia e Inovação. TEDx speaker e autor do livro “Conveniência é o Nome do Negócio”. Certificações executivas em Harvard e Cambridge. Atuação profissional em mais de 25 países. Anualmente, ministra mais de 150 palestras no Brasil, América do Sul, EUA e Europa. Ele é Masters em International Business pela Georgetown University (EUA), Masters of Business Administration pela ESADE (Espanha) e Mestrado Executivo em Gestão Empresarial pela FGV. Pós-MBA e MBA pela FGV.

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IA avança no esporte e redefine decisões dentro e fora de campo

Uso de tecnologia no futebol e tênis amplia precisão, acelera decisões e levanta debate sobre governança e papel humano

Por Arthur Igreja | Atualizado em
Foto: Fabio Souza/CBF
Foto: Fabio Souza/CBF

O assunto da semana é o uso da inteligência artificial dentro de campo. A Premier League, a liga inglesa de futebol, anunciou que a partir da próxima temporada vai utilizar o impedimento semiautomático.

E por que isso é tão importante? Primeiro, pela velocidade. O grande problema do VAR hoje é aquela demora de três, quatro, cinco minutos que mata o ritmo do jogo e deixa o torcedor agoniado. Com a IA e diversas câmeras espalhadas pelo estádio, o sistema rastreia 29 pontos do corpo de cada jogador, 50 vezes por segundo.

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O segundo ponto é a precisão. Sabe aquela discussão da linha, se foi o ombro, se foi a ponta do pé, se a linha estava torta? A inteligência artificial elimina essa subjetividade no que é factual.

Mas tem um ponto que eu sempre gosto de destacar: a tecnologia resolve o que é métrico, o que é dado. A interpretação, se houve intenção, se o contato foi suficiente para a falta, ainda é, e continuará sendo, humana. A tecnologia não veio para tirar a polêmica do futebol, porque a polêmica faz parte da paixão. Ela veio para evitar o erro absurdo.

E não é só na arbitragem. Hoje, os clubes usam IA para prever lesões, para analisar o mercado e saber qual jogador se encaixa melhor taticamente antes mesmo de fazer a oferta. O futebol deixou de ser apenas um esporte de intuição para ser um esporte de dados. Quem não entender isso, vai ficar para trás no placar e na gestão.

E olha, se a gente acha que isso é exclusividade do futebol, basta olhar para o lado. O tênis já faz isso há muito tempo com o Hawk-Eye, onde não se discute mais se a bola tocou na linha ou não; a máquina decide e o jogador aceita. Na NFL, o futebol americano, o uso de sensores nos ombros dos jogadores gera estatísticas em tempo real que são usadas tanto pelas comissões técnicas quanto pelas transmissões de TV para engajar o público.

A grande verdade é que o esporte está servindo de laboratório para a sociedade. Se a gente aceita um algoritmo decidindo um título mundial, a gente começa a se preparar para algoritmos decidindo coisas cada vez mais complexas na nossa vida.

O desafio agora não é mais a tecnologia, porque ela já existe e funciona. O desafio é a governança: como usar tudo isso sem tirar o brilho, a incerteza e a emoção que só o esporte consegue proporcionar.

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