A Bolsa de Valores brasileira encerrou a terceira semana de julho em tom de forte cautela, mas conseguiu sustentar um saldo semanal levemente positivo. Após ser empurrado por duas quedas consecutivas nos últimos pregões — culminando na retração de 1,52% na sexta-feira (24/07), aos 174.041,95 pontos —, o Ibovespa acumulou uma modesta alta de 0,19% no balanço dos últimos cinco dias.
O período foi marcado por intensa volatilidade geopolítica internacional, rotação global no setor de tecnologia e pelo desfecho da nova ofensiva comercial dos Estados Unidos contra o Brasil.
Ao longo dos últimos dias, os investidores locais precisaram digerir a dupla tarifação imposta pelo governo de Donald Trump. À sobretaxa inicial de 25% com base na Seção 301, somou-se na quinta-feira (23/07) uma nova alíquota adicional de 12,5% sob alegações de combate a irregularidades na cadeia produtiva, elevando a tributação sobre parte do fluxo exportador.
No cenário internacional, os preços do petróleo operaram sob forte volatilidade. As cotações da commodity chegaram a renovar patamares acima de US$ 100 com a escalada das tensões entre EUA e Irã, antes de devolverem os ganhos na sexta-feira em meio a rumores de mediação diplomática no Oriente Médio.
O alívio nas cotações energéticas no fim da semana enfraqueceu as ações da Petrobras, mas ajudou a aliviar os prêmios da curva de juros futuros (DIs) locais, que fecharam em queda, respaldados ainda por declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Destaques da semana: mineração e WEG lideram altas; Hapvida desaba
A liderança das altas no acumulado semanal ficou com as mineradoras e siderúrgicas, impulsionadas pela resiliência das cotações operacionais do minério de ferro antes do desajuste de sexta-feira. A CSN Mineração (CMIN3) disparou 7,32% e a holding CSN (CSNA3) avançou 6,34%. A WEG (WEGE3) somou 4,90% em meio ao apetite por ativos industriais de alta qualidade, enquanto a Petrobras ON (PETR3) acumulou alta de 3,95% e a Vale (VALE3) subiu 3,15%, servindo de amortecedor para o índice nos momentos de maior estresse.
Na ponta oposta, as empresas ligadas ao consumo interno e à sensibilidade de balanços sofreram liquidação acentuada. A Hapvida (HAPV3) liderou a ponta negativa da semana com um tombo de 12,83%, acompanhada pela varejista Azzas (AZZA3) (-10,44%) e pelo setor educacional, onde a Yduqs (YDUQ3) recuou 9,64% no acumulado — embora tenha ensaiado um repique pontual no último pregão.
Mercado de câmbio: dólar encerra semana em queda de 0,59%
O dólar comercial encerrou o acumulado dos últimos cinco dias com variação negativa de 0,59%, cotado a R$ 5,081 na venda. Durante a semana, a moeda flutuou entre a máxima de R$ 5,11 e a mínima de R$ 5,05.
O comportamento do câmbio refletiu a postura de cautela global com o dólar ante moedas emergentes, atrelada à manutenção do elevado diferencial de juros (carry trade) oferecido pela taxa Selic no Brasil. Embora a desvalorização pontual do petróleo no fim da semana tenda a pressionar a balança comercial de países exportadores, a percepção de que as novas tarifações norte-americanas não desencadearam um bloqueio total sobre as exportações de commodities permitiu a apreciação do real no saldo semanal.
O saldo semanal levemente positivo mostra que a Bolsa brasileira construiu um piso tático, suportado pelo peso de suas commodities e papéis de valor frente aos ruídos protecionistas. O forte tombo das empresas de saúde e consumo sinaliza que o investidor continua seletivo, penalizando teses operacionais expostas ao crédito interno.
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