Antes de aparecer nas convocações da Seleção Brasileira e acabar fora da lista final de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026, Andreas Pereira esteve muito perto de defender a Bélgica no futebol profissional. Nascido em Duffel, filho de brasileiros, o meio-campista percorreu toda a base da seleção belga, foi tratado como uma das maiores promessas do país e recebeu diversas investidas para permanecer nos Red Devils. No entanto, optou por vestir a camisa do Brasil, decisão que o impediu de disputar o Mundial pela seleção europeia.
Pelas categorias de base da Bélgica, Andreas acumulou 27 partidas e 13 gols entre as seleções sub-15, sub-16 e sub-17. O desempenho mais impressionante veio no sub-16, quando marcou 10 gols em apenas nove jogos, média superior a um gol por partida. Também atuou nas Eliminatórias do Campeonato Europeu Sub-17 antes de decidir mudar de seleção.
A Federação Belga tentou evitar a perda de um dos principais talentos formados no país. Em meados dos anos 2010, o então técnico Marc Wilmots enxergava Andreas como o futuro da seleção e projetava uma convocação para o time principal, numa tentativa de garantir sua permanência. O jogador agradeceu o convite, mas recusou.
As tentativas continuaram na gestão de Roberto Martínez, comandante da chamada “geração de ouro” belga. O treinador voltou a procurar o estafe do atleta para convencê-lo a defender a Bélgica, enquanto nomes como Romelu Lukaku e Adnan Januzaj, companheiros de Andreas na Inglaterra, também tentaram persuadi-lo informalmente.
Apesar da insistência, o meio-campista, que hoje defende o Palmeiras, sempre afirmou que seu sonho era jogar pelo Brasil. Filho do ex-jogador Marcos Pereira, Andreas cresceu em uma família brasileira e costumava dizer que, embora fosse grato à Bélgica pela formação esportiva, seu “coração era brasileiro”.
A mudança de lado ocorreu em 2014, quando aceitou a convocação para a Seleção Brasileira Sub-20. No ano seguinte, foi um dos destaques da campanha do vice-campeonato mundial da categoria e marcou o gol brasileiro na final contra a Sérvia.
O bom desempenho abriu caminho para a equipe principal. Em setembro de 2018, sob o comando de Tite, Andreas estreou em amistoso contra El Salvador e entrou para a história como o primeiro jogador nascido fora do território brasileiro a defender a Seleção em mais de um século.
Depois de um período fora das convocações, voltou ao grupo em 2024 graças às boas atuações pelo Fulham. Convocado por Dorival Júnior, marcou seu primeiro gol pela Seleção em amistoso contra o México e integrou o elenco da Copa América daquele ano.
Já com Carlo Ancelotti, Andreas recebeu apenas duas convocações. Esteve na primeira lista do treinador, em maio de 2025, e voltou a ser chamado em setembro do mesmo ano para substituir Kaio Jorge, cortado por lesão, nas Eliminatórias. Embora tenha figurado na pré-lista de 55 jogadores para a Copa do Mundo de 2026, acabou cortado da relação final de 26 nomes, encerrando a possibilidade de disputar o torneio.
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