A final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina, marcada para domingo (19/07), às 16h (de Brasília), coloca frente a frente duas das maiores escolas de futebol do planeta. Apesar da rivalidade esportiva, os dois países possuem uma conexão histórica construída também pelos grandes jogadores argentinos que fizeram sucesso nos gramados espanhóis.
Ao longo das décadas, nomes como Alfredo Di Stéfano, Mario Kempes, Diego Maradona e Lionel Messi, ídolos incontestáveis na Argentina, ajudaram a transformar a relação entre o seu país de origem e Espanha em uma das mais especiais do futebol mundial. Ídolos também de clubes espanhóis, esses craques deixaram marcas profundas e passaram a ser reverenciados pelos torcedores locais.
A presença argentina na Espanha vai muito além de transferências importantes. São histórias de jogadores que conquistaram títulos, mudaram a forma de jogar futebol e se tornaram símbolos de clubes que ajudaram a construir a grandeza da modalidade no país.
Alfredo Di Stéfano: a maior lenda do Real Madrid
Antes de Pelé, Maradona e Messi dominarem o cenário mundial, um argentino já havia revolucionado o futebol europeu. Alfredo Di Stéfano chegou ao Real Madrid em 1953, após uma disputa nos bastidores que envolveu também o Barcelona, e rapidamente se tornou o maior símbolo da história do clube.
Conhecido como “La Saeta Rubia”, Di Stéfano foi o grande líder da equipe que dominou a Europa nos anos 1950. Com o Real Madrid, conquistou cinco Copas dos Campeões da Europa consecutivas e oito Campeonatos Espanhóis, transformando o clube em uma potência mundial.
Apesar de toda a sua grandeza, existe uma curiosidade que aumenta ainda mais o tamanho de sua história: Di Stéfano nunca disputou uma Copa do Mundo.
O argentino defendeu oficialmente a seleção de seu país em apenas seis partidas, todas pelo Campeonato Sul-Americano de 1947, quando foi campeão e marcou seis gols. Depois, passou pelo futebol colombiano e chegou ao Real Madrid, onde também se naturalizou espanhol.
Pela Espanha, chegou a ser convocado para a Copa de 1962, no Chile, mas uma lesão muscular impediu sua estreia no torneio. Antes disso, a Argentina não participou das Copas de 1950 e 1954, enquanto a Espanha não conseguiu classificação para o Mundial de 1958.
Mario Kempes: o herói argentino que virou rei em Valência
Se Di Stéfano foi o pioneiro da idolatria argentina na Espanha, Mario Kempes (foto) se tornou um dos maiores símbolos de uma geração campeã.
O atacante foi o grande protagonista do primeiro título mundial da Argentina, na Copa do Mundo de 1978. Jogando em casa, “El Matador” marcou seis gols, terminou como artilheiro do torneio e foi decisivo na final contra a Holanda, balançando as redes duas vezes na vitória por 3 a 1 na prorrogação.
No futebol espanhol, Kempes construiu uma relação eterna com o Valencia. O atacante chegou ao clube em 1976 e rapidamente conquistou a torcida. Foi artilheiro do Campeonato Espanhol na temporada 1976/77 e liderou a equipe na conquista da Copa do Rei de 1979.
Até hoje, é lembrado como um dos maiores jogadores da história do clube valenciano.
Diego Maradona: genialidade, polêmicas e idolatria
Considerado por muitos o maior jogador argentino antes de Messi, Diego Maradona também deixou sua marca no futebol espanhol.
Sua primeira passagem aconteceu pelo Barcelona, entre 1982 e 1984. Apesar de ter enfrentado problemas físicos, incluindo hepatite e lesões, o camisa 10 encantou os torcedores com sua técnica, dribles e jogadas espetaculares.
No clube catalão, conquistou a Copa do Rei e a Supercopa da Espanha, mas sua passagem terminou de forma turbulenta após conflitos internos.
Anos depois, Maradona retornou ao futebol europeu pelo Sevilla, na temporada 1992/93. O reencontro teve um fator especial: o argentino queria voltar a trabalhar com Carlos Bilardo, técnico da Argentina campeã mundial de 1986.
A transferência envolveu negociações complexas com o Napoli e até participação da Fifa. Em campo, Maradona disputou 29 partidas e marcou oito gols, mas a passagem durou apenas uma temporada e terminou com novos conflitos com a diretoria e a comissão técnica.
Lionel Messi: o argentino que virou o maior símbolo do Barcelona
A maior ligação entre Argentina e Espanha no futebol moderno tem nome e sobrenome: Lionel Messi.
O craque chegou ao Barcelona ainda adolescente, em 2000, e permaneceu no clube até 2021. Durante 21 anos na Catalunha, construiu uma trajetória que o transformou no maior jogador da história do clube.
Messi estreou profissionalmente em 2004 e rapidamente passou a ser protagonista. Com a camisa do Barcelona, conquistou 35 títulos, incluindo dez Campeonatos Espanhóis e quatro Champions Leagues.
Também estabeleceu recordes históricos:
- 778 jogos, maior número de partidas pelo Barcelona;
- 672 gols, maior artilheiro da história do clube;
- 305 assistências;
- seis Bolas de Ouro conquistadas enquanto defendia o Barça.
Sob o comando de Pep Guardiola, Messi liderou uma das equipes mais dominantes da história do futebol, especialmente no período entre 2008 e 2012. Em 2009, participou do chamado “sextete”, quando o Barcelona conquistou todos os seis títulos possíveis no mesmo ano.
Já na seleção, depois de anos de críticas pela falta de títulos pela seleção argentina, Messi viveu sua redenção com a conquista da Copa América de 2021 e do Mundial de 2022, no Catar, quando foi eleito o melhor jogador do torneio. Também se tornou o maior artilheiro da história da seleção (125 gols em 206 partidas) e das Copas do Mundo (21 gols em 33 jogos em seis participações: 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026).
Outros argentinos que deixaram legado na Espanha
A relação entre argentinos e futebol espanhol também foi marcada por outros grandes nomes.
O meia Juan Román Riquelme teve uma passagem frustrante pelo Barcelona, mas encontrou seu espaço no Villarreal, onde virou ídolo. Liderou o clube a uma campanha histórica com terceiro lugar no Campeonato Espanhol e semifinal da Champions League em 2006.
Diego Simeone, atualmente técnico do Atlético de Madri, construiu uma história de raça e liderança. Como jogador, foi peça fundamental do próprio Atlético que hoje dirige campeão espanhol e da Copa do Rei na temporada 1995/96.
O volante Fernando Redondo conquistou os espanhóis com elegância e inteligência. Após brilhar pelo Tenerife, virou referência no Real Madrid, onde ganhou duas Champions League e entrou para a história com a famosa jogada do calcanhar contra o Manchester United, em 2000.
Fato é que a final da Copa de 2026 entre Espanha e Argentina representa um duelo entre duas seleções de enorme tradição, mas também celebra uma relação construída por décadas.
Dos tempos de Di Stéfano ao domínio de Messi, os argentinos ajudaram a escrever capítulos fundamentais da história do futebol espanhol e conquistaram o respeito e a admiração dos espanhóis.




