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Especialista na cobertura do Corinthians, Marco Bello Jr. acumula experiência em grandes coberturas como Olimpíadas e Copas do Mundo. Traz notícias de primeira mão e o acompanhamento diário do cotidiano alvinegro.

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Memphis, Diniz, salários e quatro derrotas: queda na Libertadores pode incendiar ambiente no Corinthians

Corinthians chega ao confronto decisivo contra o Estudiantes pressionado por resultados, problemas financeiros, cobranças públicas e um ambiente político cada vez mais pesado

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Ag. Corinthians
Ag. Corinthians

O Corinthians entra nesta quarta-feira em campo contra o Estudiantes, pela Libertadores, levando junto muito mais coisa do que apenas a obrigação de conseguir um bom resultado.

A Libertadores não criou os problemas do Corinthians.

Eles já estão aí.

Mas uma eliminação pode fazer tudo pesar de uma vez.

O time vem de quatro derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro, para Cruzeiro, Coritiba, Santos e Chapecoense. A última, por 2 a 1, dentro da Neo Química Arena, para o lanterna da competição.

O Corinthians não perdia quatro partidas seguidas no Brasileiro desde 2007, justamente o ano de seu único rebaixamento.

O rendimento de Fernando Diniz também caiu bastante.

Antes da Copa do Mundo, o Corinthians de Diniz tinha nove vitórias, quatro empates e três derrotas em 16 jogos, com aproveitamento de 64,6%.

Depois da Copa, contando também a derrota para a Chapecoense, são quatro vitórias, três empates e cinco derrotas em 12 partidas.

O aproveitamento caiu para 41,7%.

É muita diferença.

E a torcida percebeu.

Diniz ainda tem respaldo dentro do departamento de futebol e, até onde consegui apurar, não existe neste momento uma pressão interna organizada para sua saída.

Mas da arquibancada a cobrança aumentou muito.

Depois da derrota para a Chapecoense, o próprio treinador assumiu a responsabilidade pelo momento, disse estar constrangido e pediu desculpas ao torcedor.

E no meio disso tudo está Memphis Depay.

Depois da derrota para a Chapecoense, o holandês fez algumas das declarações mais fortes desde que voltou ao time.

Disse que o Corinthians precisa “aprender a jogar como um time grande” e cobrou mais responsabilidade dos próprios jogadores.

Também saiu em defesa de Diniz ao afirmar que “não pode ser sempre que o técnico não entende o jogo ou os jogadores” e que todos no elenco precisam assumir a pressão.

Memphis também falou sobre disciplina coletiva e cobrou uma reação rápida.

A principal estrela do time criticou, mas dividiu a responsabilidade com os jogadores.

Quando o principal jogador da equipe precisa vir a público pedir mais disciplina, mais responsabilidade e postura de time grande, é porque o momento não está normal.

E fora de campo também não está.

O Corinthians continua convivendo com graves problemas financeiros.

O clube chegou a acumular dois meses de direitos de imagem atrasados com o elenco masculino. Depois pagou uma das parcelas, mas ainda ficou um mês em aberto, além de premiações do Brasileiro e da Libertadores.

O salário de agosto também chegou a atrasar antes de ser quitado.

Cada mês de direitos de imagem representa aproximadamente R$ 10 milhões.

No futebol feminino, a situação também não foi resolvida completamente. O clube não cumpriu o prazo dado para quitar os atrasados e ainda devia cerca de R$ 1,5 milhão em direitos de imagem às jogadoras no início deste mês.

A dívida total do Corinthians está hoje em aproximadamente R$ 2,8 bilhões.

A Arena representa cerca de R$ 630 milhões desse valor.

E enquanto o futebol tenta andar no meio de tudo isso, a política do Parque São Jorge continua pesada.

O presidente Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, já protagonizaram neste ano uma disputa que chegou à Justiça.

Tuma chegou a pedir ao Ministério Público uma investigação contra Stabile, enquanto uma reunião convocada pelo presidente para afastar Tuma acabou tendo seus efeitos anulados judicialmente.

O vice-presidente Armando Mendonça também vive uma situação delicada.

A Justiça aceitou denúncia do Ministério Público e o tornou réu no caso envolvendo materiais esportivos da Nike.

Mendonça nega irregularidades e terá direito de se defender durante o processo.

Tudo isso a poucos meses da eleição presidencial.

Presidente, vice-presidente e presidente do Conselho Deliberativo tentam manter uma convivência institucional, mas em vários assuntos importantes claramente não falam a mesma língua.

E daqui para frente quase todo movimento político vai ser olhado também pensando em novembro.

Por isso o jogo da Libertadores ficou ainda maior.

Se o Corinthians eliminar o Estudiantes e continuar vivo na competição, ganha fôlego.

Diniz respira.

O elenco respira.

A torcida também dá uma segurada.

E durante alguns dias, pelo menos, os outros problemas saem um pouco do centro da discussão.

Se cair, aí complica.

O Corinthians fica fora da última competição em que ainda pode conquistar um grande título em 2026 e volta todas as atenções para um Campeonato Brasileiro que começou a ficar perigoso.

E o calendário não ajuda em nada.

Os próximos quatro jogos do Corinthians no Brasileiro serão contra o Flamengo, atual líder, no Maracanã; Fluminense, atual quarto colocado, na Neo Química Arena; Internacional, no Beira-Rio; e Palmeiras, fora de casa.

O Corinthians já perdeu quatro seguidas.

Se perder essas quatro também, chega a oito derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro.

Ficaria a apenas uma do recorde histórico de nove derrotas seguidas, registrado em 2000.

Mas o problema maior nem seria o recorde.

Seria a tabela.

O Corinthians tem 32 pontos e está apenas sete acima da zona de rebaixamento.

Se passar por esse bloco sem pontuar, entra de vez numa briga que até poucas semanas atrás parecia distante.

E aí muda tudo.

Se também estiver eliminado da Libertadores, restará ao Corinthians uma única disputa realmente importante até o final de 2026.

Só que não por título.

Seria uma disputa bem mais triste.

A luta contra o rebaixamento.

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