A Copa do Mundo de 2026 deve representar o último capítulo da carreira de Lionel Messi em Mundiais, mas também tem potencial para redefinir um dos debates mais antigos do futebol. Caso conquiste o bicampeonato consecutivo com a Argentina, o camisa 10 ampliará ainda mais seu currículo e fortalecerá as comparações com Pelé na disputa pelo posto de maior jogador da história.
Aos 39 anos, Messi chegou ao torneio cercado por dúvidas sobre sua capacidade de seguir em alto nível. No entanto, respondeu dentro de campo com uma campanha histórica. Até a decisão, soma oito gols, briga pela artilharia da competição e alcançou 21 gols em Copas do Mundo. Durante boa parte do Mundial, ocupou o posto de maior goleador da história do torneio, que tentará recuperar no jogo contra a Espanha, a partir das 16h (de Brasília) deste domingo (19/07).
O argentino também assumiu outro recorde simbólico. Com duas assistências na semifinal contra a Inglaterra, chegou a 12 passes para gol em Mundiais e ultrapassou as 10 assistências atribuídas a Pelé, tornando-se o maior garçom da história da competição.
Além dos números, Messi voltou a ser decisivo em momentos importantes. Na fase de grupos, marcou três gols na estreia contra a Argélia e balançou as redes duas vezes diante da Áustria. No mata-mata, participou diretamente da classificação argentina contra Cabo Verde, Egito, Suíça e Inglaterra, seja com gols ou assistências.
Outro feito relevante foi a longevidade. Messi tornou-se um dos poucos jogadores a marcar em cinco edições diferentes da Copa do Mundo e estabeleceu novas marcas relacionadas à idade e à regularidade, reforçando uma trajetória iniciada em 2006.
A campanha, porém, também foi marcada por polêmica. Logo na estreia, a Argélia reclamou da não expulsão do craque por uma entrada temerária. O gol que colocou Messi à frente de Miroslav Klose na lista de maiores artilheiros das Copas gerou protestos devido a uma possível falta na origem da jogada contra a Áustria. O árbitro validou o lance e o VAR não recomendou revisão, alimentando críticas e debates nas redes sociais.
Os episódios inflamaram as redes sociais, gerando alegações de que a Fifa estaria concedendo “tratamento especial” a Lionel Messi e à seleção sul-americana. Rivais e “haters” apelidaram o camisa 10 da Albiceleste de “Princesinha da Fifa”.
Debate ganha novo peso
Mesmo antes da final, o desempenho de Messi já reacendeu a discussão sobre quem ocupa o topo da história do futebol. Ao longo dos últimos anos, diversos ex-jogadores e personalidades do esporte passaram a defender publicamente o argentino como o maior de todos os tempos.
Entre eles estão nomes como Gary Lineker, Wayne Rooney, Xavi Hernández e Carles Puyol. Até quem estará em lado oposto neste domingo tira o chapéu para o craque argentino. “Messi é o melhor jogador de todos os tempos para mim. Ele conseguiu levar sua equipe a vencer a Copa do Mundo e chegar a outra final”, disse o meio-campista espanhol Rodri às vésperas da decisão.
A discussão também ganhou respaldo institucional quando a Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) publicou um ranking colocando Messi na primeira posição entre os maiores jogadores da história, com Pelé em segundo lugar.
O peso de um bicampeonato
Pelé continua sendo o único jogador tricampeão mundial como protagonista da seleção brasileira, além de manter uma trajetória que transformou o futebol em escala global. Seu legado permanece como referência para diferentes gerações.
Por outro lado, um eventual segundo título consecutivo de Messi pela Argentina, somado aos recordes individuais alcançados em 2026, ampliaria ainda mais os argumentos de quem considera o argentino o maior jogador de todos os tempos.
Independentemente da resposta definitiva — que permanece subjetiva e varia conforme os critérios adotados por torcedores, especialistas e ex-jogadores —, a campanha de Messi nesta Copa faz com que a comparação com Pelé deixe de ser apenas uma discussão histórica e ganhe novos elementos esportivos para alimentar um dos maiores debates do futebol mundial.
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