Com US$ 40 milhões em perdas por cortes de geração renovável no Brasil em 2025, a EDP avalia participar do leilão de baterias previsto para dezembro no país. A decisão depende, em parte, de como o setor vai absorver as novas regras aprovadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2 de junho.
Segundo João Brito, CEO da EDP na América Latina, o encargo de rede, taxa paga pelos geradores para uso da infraestrutura elétrica, é o ponto mais sensível da regulação. “Esse tema é um dos mais críticos porque pode criar uma certa não clarificação de como vai ser o pagamento desse encargo, que no fundo é o que vai viabilizar ou não as baterias”, afirmou Brito.
A regulamentação aprovada pelo órgão regulador estabelece tratamento diferenciado conforme o tipo de sistema. Para baterias despachadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), ou seja, controladas centralmente, a cobrança ocorre apenas no momento do descarregamento. Sistemas autônomos, por sua vez, pagam a tarifa tanto no carregamento quanto no descarregamento.
Brito reconheceu que nem todos os pontos da regulação agradaram à empresa. “Tem umas coisas que não concordamos, mas entendemos a razão e, portanto, vamos trabalhar para estarmos os mais competitivos possíveis de acordo com as regras que foram publicadas”, declarou. Para ele, o encargo de rede “obviamente também afeta muito a rentabilidade” dos projetos.
Projeto no Chile como laboratório
Enquanto aguarda o leilão brasileiro, a EDP deu um passo concreto na região. Na terça, a companhia portuguesa inaugurou no Chile seu primeiro sistema de armazenamento por baterias na América do Sul. O projeto tem capacidade de 240 MWh e está integrado a um parque eólico de 83 MW.
A implantação durou cerca de um ano. O sistema ainda passa por testes antes de iniciar operação comercial. Conforme Tiago Fernandes, gerente do projeto, o objetivo é eliminar o curtailment, termo técnico para o corte forçado de geração quando a rede não consegue absorver toda a energia produzida, do parque eólico chileno. Esse índice soma cerca de 11% ao ano na unidade.
“Além disso, temos momentos de geração que não temos curtailment, mas estamos gerando a preço zero. Então, qualitativamente falando, são esses dois problemas simultâneos que a bateria vem para solucionar. […] Além de praticamente eliminar o curtailment físico, que vemos nos medidores, vamos deixar de entregar energia de graça para a rede”, explicou Fernandes.
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Fernandes, porém, fez uma ressalva importante. “Sendo uma bateria despachada pelo operador do sistema, não necessariamente pode melhorar o meu curtailment em específico”, disse. O efeito das baterias tende a ser sistêmico, beneficiando a rede como um todo, e não apenas o parque ao qual estão conectadas.
Experiência global e desafio brasileiro
A EDP já opera 550 MW de baterias nos Estados Unidos e na Europa. O projeto chileno representa a entrada da empresa nesse mercado na América do Sul. “Este é o nosso primeiro projeto na região [da América Latina], portanto estamos a aprender”, afirmou Brito.
No Brasil, o problema do curtailment é financeiramente relevante. Segundo Luiz Barros, diretor executivo de Energia Renovável da EDP, cerca de 13% da geração renovável da companhia foi cortada no país em 2025. O impacto financeiro estimado chega a US$ 40 milhões. As informações foram publicadas pela Agência iNFRA.




