A matriz elétrica brasileira caminha para ter quase 88% de fontes renováveis até 2030, segundo projeção apresentada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O crescimento acelerado das energias limpas traz desafios inéditos para a gestão da rede nacional.
Márcio Rea, diretor-geral do ONS, apresentou os dados durante encontro de lideranças do GO15 realizado em Atenas. O executivo brasileiro foi eleito vice-presidente do fórum internacional para 2025 e assumirá a presidência em 2027.
O avanço mais expressivo das renováveis acontece na geração distribuída — painéis solares em residências e pequenas usinas que não passam pelo controle direto do operador nacional. Essa descentralização reduz a participação relativa da energia gerenciada pelo ONS.
“A capacidade instalada de fontes limpas já alcançará cerca de 85% em 2026“, afirmou Rea. O salto para 88% nos quatro anos seguintes reflete a velocidade da transformação energética no país.
Infraestrutura precisa se adaptar
As transformações na forma como o Brasil gera eletricidade exigem novos modelos de gestão da infraestrutura. A complexidade operacional aumenta à medida que fontes intermitentes — como solar e eólica — ganham espaço na matriz.
O ONS precisa desenvolver sistemas capazes de equilibrar oferta e demanda com menos controle direto sobre a geração. A tarefa se torna mais desafiadora conforme cresce o número de pequenos produtores conectados à rede.
O GO15 congrega operadores dos maiores sistemas elétricos do planeta, responsáveis por mais de 60% da demanda mundial de energia. O grupo discute soluções para desafios comuns enfrentados por diferentes países.
Durante o encontro em Atenas, um painel debateu a transição energética e o impacto dos data centers sobre as redes elétricas. Os centros de processamento de dados consomem volumes crescentes de eletricidade e representam novo desafio para operadores.
A eleição de Rea para a vice-presidência do fórum coloca o Brasil em posição de destaque nas discussões globais sobre o futuro da energia. O executivo também integra o MedTSO, grupo de operadores da região do Mediterrâneo.
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Por que isso importa
A expansão das renováveis reduz a dependência de combustíveis fósseis e pode baratear a conta de luz no longo prazo. Mas a transição exige investimentos em tecnologia para garantir que a rede funcione de forma estável mesmo com fontes intermitentes.
Para o consumidor, o crescimento da geração distribuída significa mais opções para produzir a própria energia. Painéis solares residenciais se tornam cada vez mais viáveis economicamente à medida que a tecnologia avança e os custos caem.




