Você já ouviu falar em jet lag social? O termo refere-se a um desequilíbrio entre os horários do dia a dia e o relógio biológico, como ir dormir tarde e acordar cedo. Esse padrão de rotina é mais comum do que se imagina e, normalmente, ainda vem acompanhado de excesso de telas.
Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) analisou mais de 64 mil adolescentes entre 12 e 17 anos, todos estudantes, e apontou que mais de 80% deles apresentam jet lag social. A pesquisa foi publicada na revista Sleep Health.
“O fenômeno envolve uma perda crônica de sono nos dias úteis, geralmente compensada nos fins de semana. Quanto maior for a diferença entre os horários de sono na semana e no fim de semana, maior o desalinhamento”, afirma a pesquisadora Nina Martins, primeira autora da pesquisa e doutoranda do programa de pós-graduação em Cardiologia e Ciências Cardiovasculares da UFRGS.
Fenômeno só acontece na adolescência?
O jet lag social não é um fenômeno exclusivo da adolescência. No entanto, é mais evidente nessa fase da vida, devido a uma tendência natural do organismo juvenil: dormir e acordar mais tarde. Mas o que não entra na conta são os horários escolares, que muitas vezes não coincidem com essa mudança.
Assim, de acordo com o estudo, as consequências são sonos curtos durante a semana e tentativas de compensação aos sábados e domingos.
Problemas do jet lag social na vida dos jovens
Entre os efeitos negativos observados, esse desequilíbrio pode afetar o desempenho escolar, causar dificuldade de concentração, além de alterações de humor e maior risco de ansiedade e depressão. O jet lag social ainda pode estar ligado a questões metabólicas, aumentando a possibilidade do desenvolvimento de obesidade.
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Uso de telas e maus hábitos
Para completar, o uso excessivo de telas e maus hábitos alimentares podem contribuir ainda mais para os efeitos nocivos do fenômeno. A pesquisa mostra uma associação com esses problemas, além de mencionar o consumo de álcool e o costume de pular o café da manhã.
“Esses comportamentos afetam o sono por diferentes mecanismos. O uso excessivo de telas à noite expõe o cérebro à luz artificial e mantém a mente estimulada, o que pode atrasar o início do sono e dificultar o adormecer. Já o consumo de álcool, mesmo que ocasional, interfere na qualidade e na organização do sono”, explica Martins.
Já pular o café da manhã pode ser um alerta de uma rotina bagunçada, muitas vezes ligada a noites curtas. “Em conjunto, esses hábitos contribuem para tornar os horários de sono mais irregulares e reforçam o desalinhamento entre o relógio biológico e as exigências do dia a dia, aumentando a probabilidade de jet lag social”, destaca a pesquisadora.




