Após ataque a hospital, 18 pacientes suspeitos de ebola somem no Congo

Autoridades investigam o paradeiro das pessoas após invasão armada a unidade de saúde no leste do país

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(Foto: REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere)

Um grupo de moradores de Mongbwalu invadiu e incendiou uma tenda da Médicos Sem Fronteiras no sábado (23), no nordeste do Congo. A ação fez com que 18 pessoas com suspeita de infecção por Ebola deixassem o local sem controle sanitário. Foi o terceiro episódio do tipo em menos de uma semana.

Segundo o diretor médico do Hospital Geral de Mongbwalu, os agressores exigiam a entrega de corpos de parentes. Houve troca de tiros durante a invasão.

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O surto é causado pela cepa Bundibugyo, considerada rara e sem imunizante aprovado. A variante Zaire, mais conhecida, conta com vacina disponível. A cepa Bundibugyo circulou por semanas sem ser identificada porque os primeiros pacientes testavam negativo para a cepa mais comum.

Profissionais de saúde contraíram o vírus em 27 de março ao lidar com cadáveres em uma missão humanitária sem relação com o Ebola. A primeira morte oficialmente reconhecida foi registrada em Bunia, no fim de abril. Isso indica que o agente infeccioso já se espalhava antes de qualquer alerta formal.

Números e medidas de contenção

O Ministério das Comunicações da República Congolesa informou 904 casos suspeitos e 119 mortes suspeitas. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou 82 casos e sete mortes. Há ainda 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas sob monitoramento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o nível de risco do surto de alto para muito alto dentro do Congo. A organização avalia como baixo o risco de disseminação global.

O governo congolês proibiu velórios e reuniões com mais de 50 pessoas no nordeste do país. As autoridades também determinaram que o enterro de vítimas suspeitas seja feito por equipes oficiais. Corpos de mortos por Ebola podem ser altamente contagiosos, segundo a OMS.

Na quinta-feira (21), um centro de tratamento em Rwampara foi incendiado após familiares serem impedidos de recuperar um corpo. No dia seguinte, sexta-feira (22), o governo anunciou as restrições a aglomerações.

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho informou a morte de três voluntários em Mongbwalu. Eles contraíram o vírus enquanto trabalhavam com cadáveres em campo.

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