O Ministério das Relações Exteriores cancelou as credenciais de um agente de imigração dos Estados Unidos que trabalhava na sede da Polícia Federal em Brasília. A medida foi anunciada nesta quarta-feira (22/04). A decisão responde à ordem do governo de Donald Trump para que o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho deixasse os Estados Unidos.
O delegado atuava em Miami junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas norte-americano (ICE). Ele participou da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). O governo brasileiro aplicou o princípio da reciprocidade diplomática ao retirar as credenciais do servidor americano.
O Itamaraty divulgou comunicado afirmando que a administração Trump descumpriu acordo de cooperação firmado entre os dois países. O Ministério das Relações Exteriores informou que o governo americano não seguiu a “boa prática diplomática” ao expulsar o delegado brasileiro. A pasta destacou que a decisão foi tomada sem buscar esclarecimentos ou estabelecer diálogo com as autoridades brasileiras.
O governo brasileiro considera que a postura americana viola um memorando de entendimento estabelecido entre os dois países. O documento prevê procedimentos específicos para situações envolvendo oficiais de ligação designados em missões de cooperação. O Itamaraty ressalta que o acordo não foi respeitado pela administração Trump.
Convocação de representante americana
Kimberly Kelly foi convocada nesta terça-feira (21/04) para prestar esclarecimentos ao Ministério das Relações Exteriores. Ela é a encarregada de Negócios interina da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. As autoridades brasileiras comunicaram verbalmente a decisão de aplicar o princípio da reciprocidade contra o funcionário americano que trabalhava junto à Polícia Federal.
“A representante da embaixada norte-americana foi informada, também verbalmente, que o governo brasileiro aplicará o princípio da reciprocidade diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso”, informa o comunicado oficial do Itamaraty. A pasta enfatizou que toda a comunicação relacionada ao episódio ocorreu de maneira verbal.
Integrantes do governo brasileiro manifestavam insatisfação desde segunda-feira pela ausência de notificação formal por parte da administração Trump. O Itamaraty ressalta que tanto o aviso dado ao delegado brasileiro quanto a reunião realizada com representantes da embaixada americana ocorreram sem documentação oficial. A falta de comunicação formal foi considerada uma quebra de protocolo diplomático pelas autoridades brasileiras.
O comunicado brasileiro cita trecho específico do memorando de entendimento entre os dois países. O documento estabelece que “o caso de qualquer participante buscar de boa-fé interromper a atribuição de um Oficial de Ligação Designado específico sob este Memorando, espera-se que os Participantes se consultem mutuamente”. O texto prevê ainda que, se apropriado, seja providenciada a substituição desse oficial por outro oficial alternativo.
O Ministério das Relações Exteriores informou que a reciprocidade aplicada envolve a “interrupção imediata” das funções do representante norte-americano no Brasil. A medida afeta as atividades de cooperação policial entre os dois países na capital federal. O agente americano do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos teve suas credenciais canceladas pelas autoridades brasileiras.
Diretor da PF confirma retirada de credenciais
Andrei Rodrigues confirmou nesta quarta-feira que retirou as credenciais de trabalho de um servidor dos Estados Unidos. O diretor-geral da Polícia Federal explicou que o agente de imigração americano atuava na sede da PF em Brasília. A decisão foi tomada como resposta à ordem americana para que o delegado brasileiro deixasse os Estados Unidos.
“Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade”, declarou Andrei Rodrigues em entrevista ao GloboNews. O diretor da PF explicou que o policial americano trabalhava dentro de uma unidade da corporação na capital federal.
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O agente americano perde o acesso à unidade da PF em que trabalhava. Ele também não terá mais acesso às bases de dados utilizadas para as cooperações entre as polícias dos Estados Unidos e do Brasil. O diretor da Polícia Federal esclareceu que a situação do agente americano é equivalente à do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho.
Andrei Rodrigues afirmou que o delegado brasileiro recebeu ordem para deixar os Estados Unidos na segunda-feira (20/04). O diretor da PF negou que Marcelo Ivo tenha sido expulso do país. Ele enfatizou que a corporação brasileira também não expulsará ninguém do território nacional.
“Tanto o Marcelo Ivo não foi expulso dos Estados Unidos, como nós, Polícia Federal, não vamos expulsar ninguém do Brasil. Não é nosso papel”, esclareceu o diretor da PF. A declaração busca esclarecer que a medida adotada pelo Brasil se limita à retirada de credenciais. Rodrigues enfatizou que a Polícia Federal não tem atribuição para expulsar estrangeiros do território brasileiro.
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho já deixou os Estados Unidos. Ele retornou ao Brasil após a ordem do governo norte-americano. O episódio gerou tensão diplomática entre os dois países.
Marcelo Ivo de Carvalho foi designado para a missão nos Estados Unidos em março de 2023. A duração inicial era de dois anos. Em março de 2025, o governo brasileiro publicou portaria prorrogando a permanência dele na missão até agosto deste ano.
O delegado atuava em Miami junto ao ICE. Entre as funções do agente brasileiro estava a identificação e a prisão de foragidos da Justiça brasileira nos Estados Unidos. O trabalho do delegado envolvia cooperação direta com autoridades americanas para localizar e capturar brasileiros procurados pela Justiça.
Marcelo Ivo esteve envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Na segunda-feira (20/04), o governo dos Estados Unidos solicitou que o delegado brasileiro deixasse o país. A administração americana publicou em uma rede social que uma autoridade brasileira tentou “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” no Brasil.
A TV Globo confirmou com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil que a autoridade citada era Marcelo Ivo de Carvalho. A acusação americana não foi acompanhada de documentação formal ou pedido de esclarecimentos ao governo brasileiro.
A retirada das credenciais do agente americano afeta as operações conjuntas entre as polícias dos dois países. O servidor norte-americano perdeu acesso às informações compartilhadas. Ele também não pode mais acessar as instalações da Polícia Federal onde desenvolvia suas atividades.
O governo brasileiro mantém a posição de que a medida americana violou protocolos estabelecidos no memorando de entendimento entre os dois países. O Ministério das Relações Exteriores defende que a administração Trump deveria ter buscado diálogo antes de determinar a saída do delegado brasileiro. As autoridades brasileiras aguardam posicionamento formal do governo Trump sobre os procedimentos adotados.




