Keir Starmer enfrenta hoje o momento mais delicado desde que assumiu o cargo de primeiro-ministro britânico. A derrota histórica do Partido Trabalhista nas eleições distritais desencadeou uma crise política que cresce a cada dia dentro do próprio governo.
Mais de 90 deputados trabalhistas já pediram sua renúncia e quatro integrantes do governo deixaram seus cargos. Ao mesmo tempo, o Reform UK, partido de ultradireita, saiu praticamente do zero para conquistar mais de 1.400 assentos locais, em um resultado que abalou o cenário político britânico.
Nos últimos dias, conversando com eleitores em Londres e em outras regiões da Inglaterra, ouvi repetidamente o mesmo sentimento: frustração. O custo de vida segue muito alto, o sistema público de saúde enfrenta dificuldades e a imigração ilegal domina o debate político.
Esse cenário abriu espaço para o crescimento de partidos fora do eixo tradicional entre Trabalhistas e Conservadores. Pela primeira vez em muitos anos, o Reino Unido parece viver uma mudança mais profunda no comportamento do eleitorado.
Mesmo pressionado, Starmer ainda resiste porque não há consenso dentro do Partido Trabalhista sobre quem poderia substituí-lo. O sistema parlamentar britânico exige apoio consolidado em torno de um novo líder, algo que ainda não aconteceu.
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Mas os bastidores seguem tensos, principalmente após rumores de novas renúncias no governo. A sensação em Londres é de que a crise está longe de terminar e que ainstabilidade política voltou a fazer parte da rotina britânica.
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