A escalada militar entre Paquistão e Afeganistão atingiu um novo patamar nesta quinta-feira (26/02), após trocas de tiros na fronteira e bombardeios contra cidades afegãs. Horas depois, o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, declarou “guerra aberta” contra o governo do Talibã.
A crise é resultado de meses de tensão, acusações mútuas e um cessar-fogo frágil que desmoronou. O estopim foi uma sequência de ataques cruzados:
- O Paquistão bombardeou supostos alvos do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) em território afegão.
- O governo afegão respondeu com o que chamou de “operações ofensivas em larga escala” na fronteira.
- Tropas trocaram tiros por mais de duas horas em áreas montanhosas.
- Explosões foram registradas em Cabul após sobrevoo de caças.
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Ambos os lados relatam dezenas de mortos. Nenhuma das alegações foi verificada de forma independente.
O centro da disputa: o TTP
O principal ponto de ruptura envolve o Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), grupo militante que atua contra o governo paquistanês. Islamabad acusa Cabul de abrigar e não agir contra combatentes do TTP, que atravessariam a fronteira para realizar atentados no Paquistão.
O Talibã nega as acusações e afirma que não permite o uso do território afegão contra países vizinhos e que age apenas em “defesa da soberania nacional”.
Para o Paquistão, porém, a tolerância ao TTP é inaceitável. A declaração de Asif foi direta:
“Nossa paciência chegou ao limite. A partir de agora, é guerra aberta entre nós e vocês.”
Uma fronteira historicamente instável
A linha que separa os dois países tem cerca de 2.600 km e é palco recorrente de confrontos. Em outubro do ano passado, mais de 70 pessoas morreram em choques na fronteira e cerca de 50 civis afegãos estavam entre as vítimas, segundo a ONU. Um cessar-fogo foi firmado em novembro, mas sempre sob ameaça de ruptura.
Desde então, importantes passagens, como Torkham, permanecem fechadas ou operando com restrições, afetando comércio e fluxo de refugiados.
Bombardeios em Cabul e Kandahar
Na madrugada desta sexta-feira 27/02 (horário local), explosões sacudiram Cabul após a passagem de jatos. Em Kandahar, aeronaves sobrevoaram áreas próximas à residência do líder supremo talibã, Hibatullah Akhundzada. Civis ficaram feridos perto da passagem de Torkham.
O governo paquistanês afirma ter respondido a “disparos não provocados” e diz ter causado “grandes perdas” ao outro lado. O Talibã, por sua vez, afirma ter matado dezenas de soldados paquistaneses.
O conflito entrou oficialmente em uma fase declarada de enfrentamento direto.
Por que isso importa?
A ruptura tem implicações regionais e internacionais:
- Risco de guerra prolongada entre dois países com histórico de instabilidade.
- Impacto direto sobre refugiados e comércio transfronteiriço.
- Possível fortalecimento de grupos extremistas na região.
- Envolvimento indireto de potências regionais que já tentaram mediar acordos, como Catar, Turquia e Arábia Saudita.
Até o momento, não há sinal concreto de retomada do diálogo. Se não houver mediação externa ou recuo estratégico, a tendência é de novos confrontos nos próximos dias.
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