O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (16/04) que o Irã aceitou não desenvolver ou possuir armas nucleares durante mais de duas décadas. O governo iraniano não confirmou essa declaração. Washington e Teerã mantêm um cessar-fogo de duas semanas, mas ainda não alcançaram um acordo de paz definitivo.
Trump fez o anúncio aos repórteres nos jardins da Casa Branca. “Temos uma declaração, uma declaração muito forte, de que eles não terão armas nucleares por mais de 20 anos”, disse ele. Até a última atualização desta reportagem, o Irã não se manifestou sobre ter concordado com essa condição.
Trump defendeu sua posição afirmando que o objetivo principal é impedir o desenvolvimento de armamento nuclear pelo Irã. E voltou a criticar o papa Leão 14. O presidente dos EUA justificou sua postura citando a ameaça representada pelo Irã.
“Não tenho nada contra o papa”, disse. “Ele pode dizer o que quiser, mas eu tenho o direito de discordar com ele. O papa tem que entender que o Irã é uma ameaça muito grande. Eu sou super a favor do Evangelho, mas não posso permitir que o Irã tenha uma arma nuclear”.
As declarações ocorrem em meio a tentativas de negociação entre Washington e Teerã. No último sábado (11/04), negociadores dos dois países se reuniram em Islamabad, no Paquistão. As negociações fracassaram.
Na quarta, Teerã reafirmou seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, declarou que ninguém pode “tirar” do Irã o seu direito de fazer um uso pacífico da energia nuclear, mas que a porcentagem deste enriquecimento é “negociável”.
Nesta quinta, o Irã negou que os Estados Unidos e Israel tenham destruído sua Marinha e sua Força Aérea durante os ataques realizados no conflito. Trump repete com frequência essa afirmação.
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Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, o comandante do Exército iraniano, Amir Hatami, afirmou que a frota do país “segue firme e o inimigo se mantém a uma distância de 300 quilômetros”.
O secretário de defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou que as Forças Armadas americanas estão “prontas para retomar o combate se o Irã não aceitar um acordo”. Em coletiva de imprensa realizada no Pentágono, Hegseth fez provocações ao governo iraniano. Ele afirmou que o Irã alega ter o controle do Estreito de Ormuz, mas não possui mais Marinha. Segundo ele, a frota teria sido completamente destruída durante os ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel.
Quando questionado por um jornalista sobre o líder supremo do Irã, Motjaba Khamenei, Hegseth respondeu: “Acredita-se que esteja ferido, mas vivo”. Um mês atrás, o secretário havia declarado que o líder iraniano estava escondido em um bunker e provavelmente “desfigurado”.




