A tão alardeada reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esbarra em um fato incontestável: o encontro simplesmente não existe nas agendas oficiais do governo norte-americano.
Ao analisar os compromissos divulgados tanto pela Casa Branca quanto pelo Departamento de Estado, constato que a diplomacia de Washington não reservou nenhum espaço formal para receber o parlamentar brasileiro. Desde que a pré-campanha de Flávio anunciou a viagem a convite de Trump, a Casa Branca manteve um silêncio revelador e não confirmou a recepção.
Os documentos oficiais são claros e dimensionam o peso da visita. O dia do presidente Donald Trump está preenchido: exames médicos de rotina pela manhã, três reuniões fechadas sobre política interna à tarde — sem cobertura da imprensa — e um jantar para encerrar a agenda. Nenhuma única linha cita Flávio Bolsonaro.
No Departamento de Estado, a situação é idêntica. Com o secretário Marco Rubio em viagem internacional pela Índia e Armênia, a responsabilidade recai sobre seu vice, Christopher Landoll, que cuida da América Latina. A agenda de Landoll prevê reuniões com a diplomacia canadense, mas ignora o senador brasileiro.
Isso significa que o encontro está definitivamente descartado? Não necessariamente. O fato de não constar na pauta oficial não impede uma reunião extraoficial. É preciso lembrar que Flávio Bolsonaro não viaja na condição de chefe de Estado ou como representante oficial de uma comitiva do Parlamento brasileiro.
Além disso, Donald Trump é conhecido por seu comportamento excêntrico e por frequentemente ignorar a liturgia tradicional do cargo. Um encontro fora das agendas, nos bastidores, ainda é uma possibilidade.
Contudo, na capital do poder global, a ausência de um registro oficial é a mensagem mais contundente que se pode enviar. A exclusão de Flávio Bolsonaro das agendas da Casa Branca e do Departamento de Estado demonstra que, para as instituições americanas, essa visita não tem peso de diplomacia de Estado.
Se o encontro ocorrer nas sombras, será nos termos e conveniências políticas de Trump, evidenciando que, no xadrez de Washington, a viagem do senador brasileiro não passa de uma movimentação periférica.